Chiara, oito anos, foi salva da lama. Mas o seu resgate ainda mal começou

Proteção Civil italiana encontrou a criança semi-inconsciente e parcialmente enterrada no desfiladeiro do rio Raganello, que transbordou nesta segunda-feira causando pelo menos dez mortos

"A imagem da vida" de Pascale Galiardi, médico e um dos socorristas envolvidos na missão de resgate no desfiladeiro do rio Raganello, mostra a mão enlameada de uma criança pousada sobre as costas de um homem do Soccorso Alpino e Speleologico. A legenda - "Ce la farai, piccola", "Vais conseguir, pequenina" - resume quase tudo. Não é propriamente um episódio com final feliz. Mas é uma história que, pelo menos, poderá ainda continuar a ser escrita.

Na segunda-feira à tarde, o transbordo do Raganello gerou uma onda que apanhou de surpresa dezenas de pessoas que faziam uma caminhada no desfiladeiro do Parque Nacional de Polino, na região da Calábria, um local de passeio muito popular. Com as buscas ainda em curso, há dez mortos confirmados e onze sobreviventes. Entre os quais esta criança.

Chiara, oito anos, foi encontrada nesta terça-feira de manhã, meio enterrada na lama, semi-inconsciente, ferida e em "evidente estado de choque" numa das gargantas do Raganello. Tinha engolido lama e areia, sendo encaminhada de helicóptero para o hospital. Apesar de o seu estado inspirar cuidados, deverá estar livre de perigo.

Mas a tragédia não deixou de cobrar-lhe uma pesada fatura. Ao seu lado, na terra, estava o corpo daquele que provavelmente seria um dos seus pais. "Pelo que soubemos em seguida, quase de certeza os seus progenitores estão entre as vítimas", confirmou Galiardi ao Corriere Della Sera.

De acordo com o último balanço da proteção ciil italiana, há ainda cinco desaparecidos. E cinco dos sobreviventes estão em estado considerado grave.

Percurso para caminhantes experientes

As gargantas do rio Raganello formam uma área natural protegida que se estende ao longo de 1600 hectares, com um desfiladeiro de 13 quilómetros, que se situa no Parque Nacional do Pollino.

Trata-se de um percurso aconselhado apenas para caminhantes experientes, devido às muitas dificuldades que apresenta, e durante algum tempo esteve mesmo interditado.

Desde então, as autoridades locais regulamentaram de forma rígida o acesso a esta zona e colocaram placas nos rochedos para permitir às equipas de socorro identificar mais facilmente os locais, segundo a mesma fonte.

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