Uma mesquita junto à Torre de Pisa? Forza Italia quer travar a construção

Direita política considera templos islâmicos lugares onde se prega o ódio e que, portanto, devem ser fechados

Os planos para a construção de uma mesquita a 400 metros da Torre de Pisa, emblemática atração turística em Itália, estão a ser criticados por residentes e políticos de direita que sublinham que o novo templo muçulmano poderá transformar-se num centro de radicalização.

O conselho local deu recentemente luz verde à edificação da mesquita que deverá custar 4.5 milhões de euros, mas os representantes do Forza Italia, partido de direita, realçam que a maioria da população se opõe a tal empreendimento.

"Estamos em guerra, quer queiramos quer não, e temos de lutar com aquilo que temos. As mesquitas devem ser fechadas, não abertas, porque não são lugares de culto, mas onde se prega o ódio", explicou ao The Guardian Daniela Santcanche, deputada do referido partido.

No último fim de semana, centenas de habitantes dessa comuna italiana participaram num protesto organizado pela campanha "Não à mesquita". De acordo com os responsáveis, mais de duas mil pessoas já assinaram uma petição que exige que a construção do templo seja referendada.

O presidente da câmara de Pisa, Marco Filippeschi, adiantou, contudo, que impedir esta edificação seria infringir o princípio da liberdade de culto consagrado na Constituição italiana. Izzedin Elzir, presidente da União das Comunidades Islâmicas em Itália, já fez saber que um referendo seria inconstitucional e ameaçaria a liberdade religiosa da comunidade.

A população muçulmana a residir em Pisa tem aumentado com a recente vaga de migração com origem no norte de África e no Bangladesh.

Todos os anos, mais de um milhão de pessoas visitam a Torre de Pisa, conhecido monumento cuja construção começou em 1173.