Celebrações do título tornam-se violentas em França

Pilhagens e distúrbios no centro de Paris, onde quatro mil agentes da polícia foram chamados a intervir. Outros episódios violentos no resto do país

Assim que soou o apito final no último jogo do Mundial de Futebol, milhares de franceses saíram para a rua em celebração. Mas, no fim da noite, as celebrações tinham-se transformado em caos. Mais de 500 pessoas foram detidas e há notícia de pelo menos duas mortes relacionadas com a celebração da vitória: um homem de 50 anos morreu ao partir o pescoço quando se atirou para um canal muito estreito, em Annecy, e na cidade de Saint-Felix, no norte da França, um homem na casa dos 30 anos morreu ao despistar-se contra uma árvore.

As forças policiais foram mobilizadas ao máximo. Segundo o jornal francês Le Monde, mais de 63 500 polícias e 46 500 gendarmes estavam de plantão, dos quais 4 mil na capital, além de 44 mil bombeiros.

Vários incidentes foram registados durante a noite em Paris, Lyon e Marselha.

Em Paris, cerca de 30 pessoas usando máscaras de esqui invadiram a loja Drugstores Publicis na Avenida dos Champs-Elysées, onde centenas de milhares de pessoas se reuniram para celebrar a vitória no campeonato do mundo. Roubaram garrafas de vinho e champanhe antes de serem dispersados pela polícia.

A polícia foi chamada a intervir durante a noite, quer para separar grupos que se envolveram em brigas, quer para dispersar a multidão. Por volta das 23.30, enquanto adeptos mais violentos atiravam garrafas e cadeiras das esplanadas, a polícia respondeu com jatos de água e até com gás lacrimogéneo.

Em Lyon, na Place Bellecour, onde quase 20 mil pessoas assistiram à final num ecrã gigante, também se registaram alguns incidentes. Em Marselha a situação mais problemática aconteceu na zona do Vieux-Port. Outros confrontos foram relatados em Ajaccio, Estrasburgo e Rouen, onde sete pessoas foram detidas.

Ainda não são conhecidos os números finais desta noite, mas nas noites de 13 e 14 de julho cerca de 845 carros foram destruídos e 508 pessoas tinham sido detidas.

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