Ministro espanhol diz que discurso de Puigdemont foi uma armadilha

O executivo espanhol "sempre afirmou estar disposto a dialogar e a negociar, mas no quadro da Constituição e do Estado de Direito", disse o ministro Alfonso Dastis

O ministro espanhol dos Assuntos Exteriores, Alfonso Dastis, disse esta quarta-feira que o discurso do presidente do governo autónomo da Catalunha foi uma "armadilha" e reiterou que o Executivo está disposto a falar dentro do quadro da Constituição.

Alfonso Dastis disse à estação francesa Europe 1 que Carles Puigdemont "assume que tem o direito à independência por causa de um suposto referendo e depois pede ao parlamento (regional) para suspender os efeitos da declaração".

"Depois vimos que assinaram alguma coisa. Não houve decisão do parlamento. Francamente, isto é incompreensível", acrescentou o ministro referindo-se ao discurso do presidente da Generalitat, na terça-feira.

O executivo espanhol, sublinhou Dastis, "sempre afirmou estar disposto a dialogar e a negociar, mas no quadro da Constituição e do Estado de Direito".

"São eles (seccionistas catalães) que não querem. Só querem falar da realização de um referendo na Catalunha que não está permitido pela Constituição", frisou.

Segundo Dastis, para realizar a consulta seria necessária uma revisão constitucional.

"É uma coisa que se poderia fazer, mas de acordo com os procedimentos da Constituição. Em todo o caso, não podemos aceitar que uma parte dos catalães decida pela totalidade. Não poderíamos fazer um referendo exclusivamente para os catalães", disse ainda o ministro dos Assuntos Exteriores.

Para Alfonso Dastis o Executivo atuou de forma responsável, proporcionada e comedida.

O governo "sempre respeitou o Estado de Direito com os meios ao dispor do Estado de Direito", afirmou acusando Puigdemont de estar a avançar, "como sempre", para situações indesejáveis para a Catalunha como criar situações que conduzem a "conflitos económicos e sociais".