Líder catalão garante que nunca irá renunciar à independência

Quim Torra teve uma reunião "longa, sincera e franca" com o primeiro-ministro espanhol. Pedro Sánchez falou de um "arranque construtivo para a normalização das relações" entre Espanha e Catalunha.

O presidente do governo regional da Catalunha assegurou hoje que o atual executivo catalão nunca renunciará "a nenhum caminho para conseguir a independência" daquela região, após a sua primeira reunião com o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez.

Quim Torra falava numa conferência de imprensa realizada na sede do governo regional catalão (também designado como Generalitat) em Madrid e após uma reunião no Palácio La Moncloa (residência oficial do primeiro-ministro de Espanha) de quase três horas com Pedro Sánchez.

O presidente da Generalitat classificou de forma positiva o encontro com Sánchez, considerando que a reunião foi "longa, sincera e franca".

Apesar da avaliação positiva, Quim Torra frisou que duas das questões de fundo abordadas no encontro, o direito à autodeterminação da Catalunha e a situação dos políticos independentistas presos, se mantêm em aberto.

"Esta reunião não serviu para convencer ninguém", declarou o presidente catalão, "mas sim para se reconhecer a existência de dois projetos políticos".

"Vi um presidente do governo (Sánchez) que escutava e tomava notas", prosseguiu.

O presidente da Generalitat garantiu ter transmitido a Sánchez que "qualquer solução para o problema catalão passa por reconhecer o direito à autodeterminação" e que também o executivo regional "não renuncia a nenhum caminho para conseguir a independência".

Ainda sobre a conversa com Pedro Sánchez, Quim Torra afirmou ter insistido que é "indecente" existirem "presos políticos", numa referência à situação do ex-vice-presidente e dos ex-ministros da Generalitat, bem como da antiga presidente do Parlamento regional e dos ex-presidentes das organizações cívicas separatistas Òmnium Cultural e Assembleia Nacional da Catalunha (ANC).

"Normalização das relações"

Antes destas declarações de Torra, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, já tinha considerado que a reunião de hoje marcava "o arranque construtivo para a normalização das relações" entre as duas partes.

"Uma crise política requer uma solução política. Esta reunião marca o arranque construtivo para a normalização das relações", escreveu Pedro Sánchez, em espanhol e em catalão, na sua conta oficial na rede social Twitter.

O primeiro-ministro espanhol e o presidente do governo catalão decidiram voltar a convocar a comissão bilateral entre os dois executivos, que não se reunia desde 2011, como forma de normalizar a relação entre as duas partes.

A vice-primeira-ministra espanhola, Carmen Calvo, informou sobre esta decisão depois do encontro entre Sánchez e Torra, o primeiro ao mais alto nível entre o executivo central espanhol e o da Catalunha após a tentativa independentista do outono passado.

"Foi uma reunião de trabalho, eficaz, institucional e cheia de cordialidade", resumiu Carmen Calvo, acrescentando que o encontro foi "francamente útil".

Por outro lado, segundo a vice-primeira-ministra, Pedro Sánchez disse a Quim Torra que "há muito pouco a falar" sobre o direito à autodeterminação que este último defende.

Desde que chegou ao poder há pouco mais de um mês, com os votos, entre outros, dos partidos independentistas catalães, Sánchez assegurou que uma das suas tarefas principais seria baixar a tensão com a Catalunha, retomar o "diálogo" político interrompido e "normalizar" as relações.

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