Justiça alemã ordena libertação imediata de Puigdemont

Detido a 25 de março no âmbito de um mandado de captura europeu, foi agora libertado. Falará aos jornalistas ainda esta sexta-feira

A procuradoria alemã ordenou esta sexta-feira a libertação imediata do ex-presidente do governo catalão Carles Puigdemont, após o pagamento da caução de 75 mil euros.

Os procuradores de Schleswig anunciaram hoje que Puigdemont forneceu às autoridades um endereço na Alemanha onde ficará a residir enquanto se aguarda uma decisão da justiça alemã sobre o processo da sua extradição.

O antigo governante catalão foi detido a 25 de março após ter entrado, de carro, na Alemanha, quando regressava da Dinamarca, no âmbito de um mandado de captura europeu emitido por Espanha, que o acusa de rebelião e mau uso de verbas públicas por organizar um referendo, declarado ilegal pelo Tribunal Constitucional, sobre a independência da Catalunha.

Segundo fontes do partido Junts per Catalunya (JxCat), Puigdemont deverá realizar uma conferência de imprensa hoje às 18:00 (hora local, menos uma hora em Lisboa) em Neumünster.

O tribunal de Schleswig decidiu esta quinta-feira que o ex-presidente da Generalitat não pode ser extraditado pelo crime de rebelião, porque a lei equivalente na Alemanha pressupõe o uso ou ameaça de força suficiente para contrariar a vontade das autoridades, mas ele ainda pode ser extraditado pela acusação de mau uso de fundos.

A Assembleia Nacional Catalã (ANC) anunciou na noite passada que já tinha feito a transferência para pagar a fiança para a libertação de Puigdemont.

As forças soberanistas enviaram esta manhã para a Alemanha diferentes delegações para apoiar Puigdemont na sua saída da prisão de Neumünster.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.