Casado teve reunião "cordial" com Sánchez a nível pessoal e "exaustiva nas exigências"

Primeiro-ministro espanhol recebeu o novo líder da oposição, eleito a 21 de julho, no Palácio da Moncloa, naquele que é o primeiro encontro oficial entre ambos. Estiveram reunidos quase três horas.

O líder do PP, Pablo Casado, disse que teve uma reunião "cordial" a nível pessoal com Pedro Sánchez e "exaustiva nas exigências" que fez ao primeiro-ministro. Ambos estiveram reunidos durante quase três horas no Palácio da Moncloa, naquele que foi o primeiro encontro entre ambos desde a eleição de Casado para liderar o maior partido da oposição em Espanha, a 21 de julho.

Casado começou a conferência de imprensa indicando precisamente que é algo "insólito" que o primeiro-ministro não seja "o líder do partido mais votado e que o líder da oposição seja o de um partido com mais deputados no Congresso e com maioria absoluta no Senado".

Sobre a relação futura entre o PP e o líder do governo, Casado disse que "a oposição vai ser por um lado firme e, por outro, responsável". Nas respostas aos jornalistas, não explica se Sánchez lhe disse se ia ou não convocar eleições (o mandato termina só em 2020).

Casado transmitiu a Sánchez que "o PP vai cooperar lealmente na unidade de Espanha e no respeito da Constituição", assim como na defesa da Economia, na luta contra o terrorismo internacional ou nos compromissos internacionais. Contudo, expressou também uma série de exigências: "A força frente ao independentismo, a defesa da lei e os serviços públicos", enumerou.

O líder do PP diz que não pode haver concessões em relação a um referendo independentista. "Não vamos estar num diálogo com quem quer romper Espanha. O que esperamos é que o governo partilhe a mesma posição", disse, avisando que o contrário seria "irresponsável". Além disso, indicou que se a Generalitat (o governo catalão) e os partidos independentistas insistirem em querer a independência, voltará a pedir a aplicação do artigo 155.º da Constituição espanhola (o mesmo que suspendeu a autonomia da região). "O PP vai estar muito vigilante", referiu.

No que respeita à política antiterrorista, "o PP não vai aceitar qualquer aproximação de presos terroristas a nenhuma prisão", numa referência aos presos etarras e a sua transferência para as prisões bascas.

Também disse que o partido não pode apoiar o "teto de gasto proposto pelo governo", defendendo que a política tributária deve ser "baixar impostos, não criá-los".

Em relação ao tema da imigração, Casado disse que "reclamou a segurança das fronteiras e o apoio às forças de segurança frente às agressões", pedindo "cooperação na origem", evitando que os imigrantes sejam alvo de extorsão.

Ambos falaram ainda do pacto de Educação, das pensões e de direitos humanos. "A Espanha deve reclamá-los" em países como Venezuela ou Nicarágua, disse Casado.

Twitter

"Reunião com Sánchez para abordar os principais assuntos que preocupam os espanhóis como uma política de imigração sem demagogias, que não haja nenhuma aproximação dos presos etarras às prisões bascas, nem concessões à chantagem dos independentistas", tinha escrito no início do encontro Casado no Twitter, com uma imagem com Sánchez.

No final do encontro, Sánchez também partilhou uma mensagem nesta rede social. "Quase três horas de conversação com Pablo Casado, a quem pedi uma oposição responsável e leal em questões de Estado: migração, política europeia, violência de género ou infraestruturas. O objetivo comum deve ser avançar pela Espanha."

O último barómetro do Centro de Investigações Sociológicas, o primeiro desde a moção de censura que afastou Mariano Rajoy do poder, coloca os socialistas em primeiro lugar nas intenções de voto dos eleitores espanhóis, com 29,9%, com o PP de Casado e o Ciudadanos de Albert Rivera a surgir empatados, com 20,4%.

Sobre o barómetro, Casado diz que não quer comentar, porque este ainda não reflete a sua eleição como líder do PP e reitera que está preparado para ir a eleições.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.