Fecho de canídromo de Macau leva a movimento para salvar galgos

Em 2016, o Governo de Macau deu dois anos ao canídromo da cidade para mudar de localização e melhorar as condições dos cães usados nas corridas ou para encerrar a pista, considerada por organizações internacionais "a pior" do mundo

A Companhia de Corridas de Galgos de Macau vai ter de abandonar o canídromo até dia 20 de julho, anunciaram na quinta-feira as autoridades, que recusaram o pedido da empresa para prolongar o contrato de exploração das corridas.

Em comunicado, a Direção de Inspeção e Coordenação de Jogos (DICJ) considerou que a proposta da concessionária, que na quarta-feira tinha pedido uma extensão de 120 dias do contrato, "mostra-se limitada para o contributo na promoção da economia" de Macau, "em termos de diversificação e desenvolvimento como um centro mundial de turismo e de lazer".

A companhia de corridas de galgos (Yat Yuen) tinha pedido, em 2017, ao Governo de Macau o prolongamento e alteração do mesmo contrato, solicitando autorização para transmitir corridas de galgos realizadas noutras regiões para a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), em vez das corridas de galgos realizadas no território.

"A transmissão das corridas de galgos realizadas noutras regiões para a RAEM, proposta pela Companhia de Galgos, transformaria a natureza lúdica e turística tradicional das corridas de galgos em meras apostas, algo que não se conforma com a estratégia política do Jogo Responsável que o Governo da RAEM promove", sublinhou.

"Aliás, a Companhia de Corridas de Galgos não tem observado as exigências do Governo da RAEM no que diz respeito ao destino e ao bem-estar dos galgos", adiantou.

Proteção dos galgos "tem merecido especial atenção" dos residentes

As autoridades indicaram ainda que a proteção dos galgos "tem merecido especial atenção" dos residentes, ao mesmo tempo que as corridas de cães em outras regiões "têm vindo a ser suspensas" pelo mesmo motivo.

Em 2016, o Governo de Macau deu dois anos ao canídromo da cidade para mudar de localização e melhorar as condições dos cães usados nas corridas ou para encerrar a pista, considerada por organizações internacionais "a pior" do mundo

Por outro lado, a DICJ indicou que a proposta da Yat Yuen "não mereceu incentivo e apoio por parte do Governo", uma vez que representa "uma contradição dos valores de proteção dos animais".

Nesta proposta, a Yat Yuen, pertencente à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) fundada pelo magnata do jogo Stanley Ho, pediu ainda às autoridades que fosse prolongado o aproveitamento do terreno onde se encontra o atual canídromo, por mais cinco anos, para cuidar dos respetivos galgos.

A 2 de julho, o Governo de Macau exigiu à Companhia de Corridas de Galgos (Yat Yuen) que apresentasse, até à passada terça-feira, um plano de realojamento dos animais não adotados após o fecho do canídromo, no final da próxima semana.

Em 2016, o Governo de Macau deu dois anos ao canídromo da cidade para mudar de localização e melhorar as condições dos cães usados nas corridas ou para encerrar a pista, considerada por organizações internacionais "a pior" do mundo.

"Acho que o governo vai ficar com a bola na mão. Vamos acreditar que nesta fase final vai ter uma boa sugestão", diz a Anima

No ano passado, a Sociedade Protetora dos Animais de Macau (Anima) lançou uma petição internacional para conseguir que cerca de 650 galgos do canídromo fossem adotados. Desde então, 50 instituições internacionais manifestaram-se, garantindo apoiar no plano de resgate ou comprometendo-se a encontrar casas adequadas para os cães.

A Anima está a resgatar galgos do canídromo de Macau que foram abandonados pelos seus adoptantes. À Teledifusão de Macau, o presidente da Anima, Albano Martins disse estar a receber pedidos de ajuda de donos de cães e defende que o executivo deve arranjar uma solução para os galgos. "O canidromo não tem hipóteses de tirar os animais de lá" a poucos dias do final da concessão, afirmou. "Acho que o governo vai ficar com a bola na mão. Vamos acreditar que o governo vai ter nesta fase final uma boa sugestão".

De acordo com a TDM, as soluções que têm sido falada passa pela entrega do Canídromo à Anima durante um ano ou que a gestão do espaço fique a cargo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) com o apoio de associações de animais, sendo que tudo seria com encargos da Yat Yuen.

A Anima tem contado com o apoio de veterinários australianos, habituados a lidar com galgos, e lojas de animais tem oferecido descontos no tratamento deste animais.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

Legalização da canábis, um debate sóbrio 

O debate público em Portugal sobre a legalização da canábis é frequentemente tratado com displicência. Uns arrumam rapidamente o assunto como irrelevante; outros acusam os proponentes de usarem o tema como mera bandeira política. Tais atitudes fazem pouco sentido, por dois motivos. Primeiro, a discussão sobre o enquadramento legal da canábis está hoje em curso em vários pontos do mundo, não faltando bons motivos para tal. Segundo, Portugal tem bons motivos e está em boas condições para fazer esse caminho. Resta saber se há vontade.

Premium

nuno camarneiro

É Natal, é Natal

A criança puxa a mãe pela manga na direcção do corredor dos brinquedos. - Olha, mamã! Anda por aqui, anda! A mãe resiste. - Primeiro vamos ao pão, depois logo se vê... - Mas, oh, mamã! A senhora veste roupas cansadas e sapatos com gelhas e calos, as mãos são de empregada de limpeza ou operária, o rosto é um retrato de tristeza. Olho para o cesto das compras e vejo latas de atum, um quilo de arroz e dois pacotes de leite, tudo de marca branca. A menina deixa-se levar contrariada, os olhos fixados nas cores e nos brilhos que se afastam. - Depois vamos, não vamos, mamã? - Depois logo se vê, filhinha, depois logo se vê...