Candidatos derrotados contestam vitória de Evaristo Carvalho

Campanha de Maria das Neves pede anulação de presidenciais de domingo, alegando irregularidades. Candidato do partido no governo ganhou à primeira volta

As candidaturas presidenciais derrotadas no domingo em São Tomé e Príncipe estudavam ontem detalhadamente os resultados de cada mesa eleitoral, depois de Evaristo Carvalho ter ganho por apenas 188 votos acima dos 50% necessários para a eleição na primeira volta. Evaristo Carvalho foi apoiado pelo partido no governo, a Aliança Democrática Independente (ADI, de Patrice Trovoada).

A candidatura de Maria das Neves, terceira classificada nas presidenciais, foi a primeira a anunciar que vai contestar judicialmente os resultados e pedir a anulação do ato eleitoral. Por seu lado, a candidatura do presidente cessante Manuel Pinto da Costa indicou ontem à Lusa estar a proceder à análise de cada resultado indicado pela Comissão Eleitoral Nacional para decidir se será apresentado recurso.

Segundo Danilo Santos, diretor de campanha de Maria das Neves, as eleições presidenciais "não foram nem livres, nem justas, nem transparentes".

"Em círculos eleitorais onde uma grande maioria dos eleitores não exerceu o seu direito de voto, foi anunciado um número exacerbado de votos em detrimento da nossa candidatura", afirmou Danilo Santos, salientando que o recurso seria entregue ainda ontem no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) de São Tomé e Príncipe.

Na votação de domingo, segundo a candidatura de Maria das Neves, houve uma "série de irregularidades e violações designadamente o impedimento dos eleitores de poderem testemunhar a contagem de votos, fechando compulsivamente as janelas e portas das assembleias de voto durante o processo de contagem, indiciando claramente a adulteração e manipulação de resultados, incluindo a possibilidade de introdução de novos boletins nas urnas a favor do candidato do partido do poder".

"Como explicar a um cidadão que vai à assembleia de voto para exercer o seu direito de voto não pode fazê-lo porque alguém já tinha votado no seu lugar?" - questionou Danilo Santos, que leu um comunicado da candidatura sem direito a perguntas.

Perante estes casos, a candidatura "vem publicamente recusar os resultados destas eleições e exige a anulação destas eleições presidenciais do dia 17 de julho de 2016".

Evaristo Carvalho liderou sempre as contagens parciais mas só na contagem dos dois principais distritos, Água Grande e Mé-Zóchi, passou a ter a maioria absoluta dos votos. No total, o candidato da ADI ganhou nos distritos de Água Grande, Mé-Zóchi, Caué, Lobata, Cantagalo, Lembá e nos círculos eleitorais da diáspora em Portugal e Gabão.

No final, Evaristo Carvalho obteve 34 629 votos, Manuel Pinto da Costa teve 17 121 boletins, seguindo-se Maria das Neves com 16 638, Manuel do Rosário com 488 e Hélder Barros com 194 votos.

"Estou satisfeito e desde o início que considerava que eu iria ser vitorioso. É uma vitória para São Tomé e Príncipe, uma vitória para o povo de São Tomé e Príncipe", afirmou o presidente eleito. "É uma vitória para o meu partido, para os meus companheiros de partido, a quem agradeço muito o apoio e a confiança. Podem confiar em mim porque eu vou exercer a função de presidente da República com toda a seriedade, toda a lealdade e sempre contribuindo para o avanço" do país.

Por seu turno, o primeiro-ministro, Patrice Trovoada, saudou a vitória de Evaristo Carvalho, considerando que a eleição do candidato do seu partido irá permitir "maior coerência" na gestão política do país.

Pai de 25 filhos

Apoiante desde sempre da família Trovoada, Evaristo Carvalho chega à Presidência de São Tomé e Príncipe, aos 75 anos. Pai de 25 filhos, é um histórico da política são-tomense, tendo sido, por duas ocasiões, primeiro-ministro em governos de iniciativa presidencial, com o apoio de Miguel Trovoada (primeiro presidente democraticamente eleito) e depois através do seu filho, Patrice Trovoada, quando este decidiu concorrer às Presidenciais de há dez anos.

Técnico de agricultura, começou por ser quadro do partido único, o MLSTP, após a independência e até ao início do multipartidarismo, na década de 1990. Foi chefe de gabinete de Manuel Trovoada, quando este foi presidente da República. Em entrevista à Lusa, disse querer "contribuir para que [Patrice Trovoada] acabe o seu mandato".

Enviado da agência Lusa

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