Canadá vai aumentar imposto sobre uísque norte-americano

A partir deste domingo há uma lista de produtos norte-americanos que vai pagar impostos mais altos para entrar no Canadá

O Canadá anunciou nesta sexta-feira a imposição de taxas alfandegárias sobre importações dos Estados Unidos, em retaliação aos impostos de Washington sobre o aço e o alumínio canadianos. As novas taxas, que entrarão em vigor este domingo (1 de julho), sobre as exportações provenientes dos Estados Unidos representam 16,6 mil milhões de dólares canadianos (10,8 mil milhões de euros).

Otava "não tinha outra escolha senão anunciar medidas recíprocas em resposta às taxas alfandegárias que os Estados Unidos impuseram sobre o aço e o alumínio desde 1 de junho de 2018", sublinhou o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, numa conversa telefónica com o Presidente norte-americano, Donald Trump, na sexta-feira, de acordo com o gabinete do chefe de Governo do Canadá. "Os dois dirigentes concordaram em manter uma estreita comunicação futura", notou o Governo canadiano.

Além do aço e do alumínio norte-americanos, são visadas as importações de uísque, ketchup, sumo de laranja, barcos à vela e com motor, ou ainda cortadores de relva.

Estes produtos "podem ser facilmente substituídos por produtos canadianos ou provenientes de outros países", sublinhou na sexta-feira a ministra dos Negócios Estrangeiros canadiana, Chrystia Freeland, numa conferência de imprensa.

Estes novos impostos canadianos vão de 10% a 25%, ou seja, tanto como as taxas impostas pela administração Trump sobre o alumínio e o aço canadianos, respetivamente.

A lista dos produtos norte-americanos visados foi pensada para dar uma resposta "perfeitamente recíproca" aos direitos alfandegários dos Estados Unidos, acrescentou Freeland.

A ministra garantiu ainda que o Canadá "não fará escalar a situação", mas "não vai recuar".

Durante os últimos meses, Donald Trump desencadeou um conflito comercial ao impor unilateralmente direitos alfandegários sobre produtos canadianos, europeus e chineses, por considerar o comércio internacional desequilibrado e desfavorável aos Estados Unidos.

Na terça-feira, Chrystia Freeland reuniu-se, em Bruxelas, com os homólogos europeus para coordenar as represálias comerciais do Canadá com as da UE, que recentemente ripostou com direitos aduaneiros sobre produtos emblemáticos como motorizadas, uísque e calças de ganga.

O Governo canadiano vai ainda prestar uma ajuda de até dois mil milhões de dólares às empresas e trabalhadores das indústrias do aço e do alumínio atingidas pelas taxas alfandegárias norte-americanas durante dois anos.

Este programa de subsídios inclui também fundos para apoiar a conquista de novos mercados de exportação, no âmbito dos acordos comerciais internacionais assinados pelo Canadá, como o acordo de livre comércio com a UE.

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