França atacada no dia nacional. Número de mortos sobe para 84

Camião abalroou centenas de pessoas. Ataque não foi reivindicado. Condutor é um tunisino de 31 anos

Um camião acelerou cerca das 21:30 (hora de Lisboa) de quinta-feira sobre uma multidão em Nice, sul de França, atropelando dezenas de pessoas. O último balanço do governo francês, ao início da manhã de sexta-feira, aponta para 84 mortos e 18 feridos em estado grave. Entre os mortos, contam-se várias crianças. Mais de 50 crianças e adolescentes estão internadas no hospital pediátrico de Nice, muitas entre a vida e a morte.

As autoridades estão a tratar o incidente como um atentado, até porque, segundo fonte policial ouvida pelo Le Figaro, foram encontradas várias armas e granadas no interior do camião. O ataque ainda não foi reivindicado. Fontes próximas da investigação, citadas pela agência Reuters, identificaram o condutor do veículo como um franco-tunisino de 31 anos, nascido na Tunísia. O Nice Matin adianta que se chama Mohamed Lahouaiej Bouhlel. Não estaria referenciado pelos serviços secretos franceses, mas era conhecido das autoridades pela autoria de crimes de roubo e delitos relacionados com violência.

Acompanhe todos os desenvolvimento em direto:

Esta manhã, fonte da Secretaria de Estado das Comunidades disse ao DN que não há informação de portugueses entre os feridos ou mortos, pelo menos até ao momento. Na cidade, vivem pelo menos dez mil cidadãos lusos. Em relação a outras vítimas estrangeiras, estão confirmadas as mortes de dois norte-americanos, uma arménia, um ucraniano, uma suíça, três alemães e uma russa.

O momento em que o camião acelera foi captado em vídeo e colocado no YouTube:

"As pessoas correm, é o pânico. Ele subiu a Promenade e avançou sobre toda a gente. Há pessoas ensanguentadas, sem dúvida feridas." As palavras eram de um jornalista do Nice Matin e descreveram na perfeição o que aconteceu.

O pesado acelerou contra as pessoas que se encontravam na Promenade des Anglais, uma das principais avenidas de Nice, onde residentes e turistas se tinham reunido para ver o fogo-de-artifício das comemorações do Dia da Bastilha, provocando o pânico imediato.

O ocupante do camião acabou por ser morto pela polícia, que disparou sobre o veículo depois de este se imobilizar, segundo testemunhos (e não ainda em movimento como chegou a ser avançado). O camião, segundo os media franceses, conseguiu andar durante dois quilómetros até se imobilizar. O condutor terá saído do pesado e ainda disparou contra a multidão antes de ser abatido.

Uma testemunha entretanto ouvida pelos media franceses garante que o camião "escolheu o maior número de pessoas" para abalroar. "Seguia como uma viatura louca", disse à BFMTV a testemunha, que tem um estabelecimento comercial nas imediações da Promenade des Anglais.

Mickael Amar, cujo restaurante se encontra mesmo na Promenade des Anglais, explicou que o fogo-de-artifício tinha acabado há pouco quando o camião avançou sobre a multidão. "Às 22:20 (menos uma hora em Lisboa) vimos o camião passar a toda a velocidade e lançar-se contra centenas e centenas de pessoas", contou Amar à televisão LCI.

Uma outra testemunha, que se encontrava num restaurante libanês na marginal de Nice, também assistiu à fuga das pessoas. "Vimos o movimento da multidão. Gritavam "atentado! atentado!" e ouvíamos disparos. Escondemo-nos no restaurante", explicou à BFM-TV.

O local do atentado:

O Ministério do Interior francês entretanto criou uma linha de telefone dedicada a dar informações ao público e a pessoas próximas das vítimas:

A polícia ainda fez buscas na cidade investigando a possibilidade de o atacante ter cúmplices, no entanto não houve registo de outras detenções. A investigação do caso está a cargo da Procuradoria Antiterrorista, que procura ainda potenciais ligações a grupos terroristas.

Nas redes sociais foram entretanto surgindo imagens do local, designadamente do camião, uma delas mostrando o veículo crivado de balas. Há outras imagens com vítimas no chão.

Ainda das redes sociais, surgem vídeos mostrando pessoas em pânico:

O ex-presidente da câmara desta região, Christian Estrosi, foi das primeiras autoridades a reagir ao incidente, escrevendo no Twitter que o camião "terá feito dezenas de mortos" e sugerindo às pessoas que não saíssem de casa.

Também a polícia municipal pediu às pessoas que ficassem em suas casas.

A estação de televisão local BFMTV noticiou também que estariam pessoas retidas num hotel próximo da zona do atentado, tendo adiantado a possibilidade de estarem feitos reféns. No entanto, a notícia foi depois desmentida pela polícia.

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