Inundação obriga a suspender trabalhos na Câmara dos Comuns

Inundação na cantina da zona de imprensa leva câmara dos Comuns a suspender os trabalhos. Enquanto isso, outra câmara, a dos Lordes, debate em tempo recorde projeto de lei para obrigar a primeira-ministra britânica Theresa May a pedir à UE27 uma nova extensão do Artigo 50º para adiar mais uma vez o Brexit

A câmara dos Comuns britânica suspendeu esta quinta-feira à tarde os seus trabalhos devido a uma inundação. Esta começou na cantina da zona de imprensa, que fica dois andares acima da câmara, tendo começado a pingar água na altura em que discursava a ex-ministra da Educação de Theresa May, Justine Greening.

O debate ainda prosseguiu durante alguns minutos, mas com os pingos da água já perfeitamente audíveis, o vice-presidente da câmara dos Comuns, Lindsay Hoyle, suspendeu os trabalhos dizendo: "Tenho que suspender a sessão. Quando regressarmos, a campainha irá tocar duas vezes, antes de recomeçarmos. Então a sessão está suspensa. Nada de fotos".

Brincando com a situação, Justin Madders, do Partido Trabalhista, afirmou: "Espero que consigamos completar a sessão antes que pare de chover. Acho que, provavelmente, este é uma espécie de símbolo do quanto este Parlamento está dilacerado". Mais tarde, refere a imprensa britânica, soube-se que a sessão foi mesmo adiada o resto do dia.

Entretanto, noutra câmara, a dos Lordes, era debatido o projeto de lei Cooper, que foi aprovado na quarta-feira à noite nos Comuns por 313 votos contra 312, ou seja, uma diferença de apenas um voto. O projeto de lei visa obrigar a primeira-ministra Theresa May a pedir à UE27 uma nova extensão do Artigo 50º, ou seja, um novo adiamento do Brexit.

Este é um processo que normalmente demora meses, mas dada a corrida contra o tempo para evitar um No Deal Brexit a 12 de abril, tudo está a ser feito com muito mais rapidez. A decisão da câmara dos Lordes é uma incógnita. Mas a maioria dos deputados é contra uma saída desordenada. Num primeira votação na câmara dos Lordes, os apoiantes da lei Cooper tiveram uma primeira vitória, conseguindo uma maioria de 221 votos.

Um dos membros da câmara dos Comuns é John Kerr, que curiosamente é o autor do Artigo 50.º, cuja invenção remonta ao tempo da Convenção Europeia para negociar uma Constituição Europeia. Esta foi chumbada em referendos em França e na Holanda e deu posteriormente lugar ao Tratado de Lisboa. Assim, se a lei for aprovada, May será obrigada a pedir uma extensão nova do Artigo 50º no Conselho Europeu de 10 de abril. A decisão cabe, em seguida, aos líderes da UE27. Se a extensão não for, por alguma razão, concedida, a lei Cooper não torna, só por si, um No Deal Brexit.

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