Calendário põe presos e polícias a trabalhar juntos para resolverem crimes

Polícia espera que reclusos deem pistas sobre casos arquivados

Reclusos da Holanda vão receber calendários com informações sobre casos de crimes que nunca foram resolvidos, uma medida que as autoridades acreditam que vai ajudar na resolução dos mesmos.

A ideia já foi testada em cinco prisões holandesas e o resultado foi positivo: a polícia recebeu cerca de 160 pistas dos presidiários, incluindo do caso de um menino de 11 anos que desapareceu em 1998.

Agora, os calendários serão distribuídos por todos os 30 mil detidos do país, segundo o The Guardian.

Cada semana do calendário para o biénio 2018/2019 vai ter uma fotografia da vítima e algumas informações sobre os casos. O calendário apenas mostrará casos de homicídios ou desaparecimentos que ficaram por desvendar e acabaram por ser arquivados. São cerca de 1500.

"A experiência da polícia e do sistema de justiça mostra que os prisioneiros têm níveis relativamente altos de crimes cometidos", afirmou um porta-voz da polícia holandesa quando a distribuição dos calendários foi anunciada.

As autoridades esperam que os reclusos saibam detalhes até então desconhecidos sobre estes casos ou que tenham ouvido outros detidos a falar sobre os mesmos. O calendário estará disponível em holandês, árabe, espanhol, inglês e russo e há uma recompensa de 800 mil euros para pistas que resultem numa condenação.

"Claro que há pessoas que não querem o calendário ou que não querem ficar conhecidas como chibos", disse Jeroen Hammer, criador do calendário, "mas a nossa experiência mostra que quase dois terços dos prisioneiros acha que o calendário é uma boa ideia".

A polícia afirma que os reclusos podem dar as pistas anonimamente e que não é um crime não revelar informações sobre um crime, logo não devem temer contrapartidas judiciais. "Não devem ter medo de serem julgados por divulgarem informações" muito tempo depois do crime, disse o porta-voz da polícia, citado pelo The Guardian.

Os calendários inspiram-se no sistema judicial dos Estados Unidos, que distribui em alguns estados baralhos de cartas com dados sobre casos não resolvidos.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.