"Cale-se", "sente-se" e outros insultos de Donald Trump a jornalistas

Já expulsou jornalistas de conferências de imprensa e gozou com eles no Twitter. O confronto com Jim Acosta, da CNN, é mais um exemplo de como o presidente costuma tratar aqueles que lhe fazem perguntas incómodas.

Foi ainda durante a campanha eleitoral que Donald Trump começou a atacar a comunicação social e os jornalistas, acusando-os de serem "o inimigo do povo americano" e referindo-se frequentemente a meios como a CNN, The Washington Post e The New York Times como "fracos" ou "fake news". Mas, para além disso, Trump tem uma relação complicada com todos os jornalistas que o criticam ou que lhe colocam questões indesejáveis. Recusa-se a responder às suas perguntas, manda-os calar, insulta-os nas redes sociais.

O confronto com Jim Acosta, da CNN, que foi agora banido da Casa Branca, é apenas o último caso dos muitos confrontos que Donald Trump tem tido com jornalistas. Estes são alguns deles:

25 de novembro de 2015. Ainda antes de ser eleito, num comício na Carolina do Sul, Donald Trump caricaturou a voz e os movimentos do jornalista Serge Kovalesky, do jornal The New York Times, que sofre de artogripose, uma doença crónica que se caracteriza por múltiplas contraturas das articulações.

26 de agosto de 2015. Numa conferência de imprensa, também durante a campanha, Donald Trump expulsou o jornalista Jorge Ramos, do canal Univision. Quando o jornalista estava a colocar a sua pergunta, Trump mandou-o sentar, dando-lhe várias vezes essa ordem. Como o repórter recusava sentar-se, os seguranças forçaram-no a sair da sala.

Agosto de 2015. No primeiro debate da campanha, a 6 de agosto de 2015, a jornalista da Fox News Megyn Kelly pergunta a Donald Trump se ele tem "o temperamento" para ser presidente, uma vez que chamou às mulheres de que não gosta nomes como "porcos gordos", "cães", "animais nojentos". A partir daí, Trump nunca se coibiu de criticar a jornalista, quer na sua conta de Tweet (reproduziu tweets onde ela era apelidada de "bimbo") quer nas declarações que fazia: "Não tenho qualquer respeito por ela enquanto jornalista, acho que ela é sobrevalorizada". Megyn Kelly saiu do canal em janeiro de 2017, mudando-se para a NBC para fazer um outro tipo de programa. Mais tarde, haveria de reconhecer que essa mudança esteve, de facto, ligada a todo o bullying de Donald Trump.

2 de outubro de 2018. Numa conferência de imprensa no jardim da Casa Branca, Donald Trump escolhe a jornalista Cecilia Vega, da ABC News, para fazer a primeira pergunta e comenta para quem está ao seu lado: "Ela está chocada por eu a ter escolhido". A repórter responde: "Não estou. Obrigado, senhor Presidente" (em inglês: I'm not. Thank you, Mr. President). Ao que Trump comenta: "Tudo bem, eu sei que não está a pensar. Você nunca pensa. (That's okay. I know you're not thinking. You never do.) Mais do que um problema de compreensão (confundindo thank e think), o que choca nesta conversa é o tom primeiro crítico e depois condescendente do presidente

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