Brigitta von Bülow: "Governo minoritário é a melhor solução"

Brigitta von Bülow, de 59 anos, atravessa o Reno todos os dias: é professora do ensino secundário na margem direita, reside e desempenha as funções de deputada municipal em Colónia, desde 2005, na margem esquerda. É contra a coligação Jamaica. Antes prefere um governo minoritário para a Alemanha.

Ficou surpreendida com os resultados das eleições legislativas?

Tinha receio de um resultado semelhante, mas não esperava que o SPD perdesse tanto. Os resultados da AfD foram ligeiramente superiores aos projetados - mesmo isso não é inesperado, pois muitos eleitores estavam indecisos até pouco antes das eleições - entre eles certamente também os eleitores da AfD que não revelaram isso nas sondagens. No entanto, há alguns anos era para mim impensável que um partido de extrema-direita conseguisse tanto sucesso na Alemanha.

O crescimento da AfD assusta-a?

Sim, muito. A AfD é um partido que tem muitos elementos extremistas e violentos no seu seio, um partido racista, xenófobo, homofóbico e antissemita. Sou uma dos porta-vozes da organização Köln stellt sich quer, que há muitos anos organiza numerosos eventos e manifestações contra o racismo e pela diversidade, a proteção dos refugiados, a dignidade humana e os direitos humanos. Estou desapontada por não conseguirmos evitar o crescimento da AfD.

Consegue caracterizar quem são os eleitores da AfD?

Os eleitores da AfD estão na maior parte insatisfeitos, com a impressão de que perante muitos problemas não resolvidos ficaram para trás na fila, e que a política atual não fornece respostas adequadas aos problemas. Segundo os especialistas, a sua campanha eleitoral caracterizou-se pelo medo.

Não está a favor da chamada coligação Jamaica. Porquê?

Os Verdes defendem a proteção do clima e a justiça social, a transição para os transportes ecológicos e uma política humana de refugiados, bem como uma Europa forte. Existem muitos limites que não podem ser ultrapassados, se as negociações exploratórias forem realizadas para uma coligação Jamaica. Não obstante, os Verdes vão assumir as responsabilidades e a confiança que os eleitores depositaram em nós. Isto significa que os Verdes terão discussões com a CDU/CSU e FDP. Mas é importante que os Verdes permaneçam fiéis aos seus objetivos. Ou seja, a maioria aritmética não é automaticamente uma maioria política.

Que solução propõe? Governo minoritário, grande coligação ou novas eleições?

Para mim, o governo minoritário é a melhor opção. Em Colónia, temos uma coligação na câmara, na qual temos de formar maiorias em todas as decisões. Ainda que isso seja um processo exaustivo, na minha opinião é uma boa solução, também porque cada um dos temas se torna mais importante do que a mera contagem do número de mandatos. Formação de maiorias ou um governo minoritário são uma boa maneira de fortalecer uma democracia viva, em especial numa época de desencanto com a política.

Se a coligação Jamaica se tornar numa realidade, em que é que os Verdes não devem ceder?

Os eleitores querem que lutemos por projetos ecológicos, pela proteção climática, pela transição energética, pelo desenvolvimento sustentável, mas também pela liberdade, por uma sociedade aberta e diversa, pelos direitos humanos, pela proteção dos refugiados, pela justiça social e por uma Europa forte. Estes são temas não negociáveis. No resto, é bem possível que possam surgir acordos e pontos de convergência com os outros partidos.

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