Negociações entre May e Corbyn à beira do fim. E há "zero hipóteses de chegar a acordo"

Governo e Labour podem agora discutir novos votos indicativos.

As negociações entre o governo britânico e o Partido Trabalhista em relação ao acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, que duram há quase seis semanas, não estão a dar frutos e devem terminar em breve sem consenso. De acordo com a BBC, em cima da mesa estão agora as opções que serão apresentadas aos deputados para mais uma série de votos indicativos sobre o caminho a seguir.

Segundo o editor de Política da BBC, Nicholas Watt, os Tories já terão desistido da ideia de chegar a acordo com o Labour sobre o Brexit. Já a oposição teme que qualquer acordo negociado não dure muito tempo, considerando que a primeira-ministra britânica, Theresa May, está numa posição de fragilidade.

"Há zero de hipóteses de chegar a um acordo neste momento", disse à Reuters uma fonte do Labour, que pediu anonimato. "Não podemos chegar a um acordo com um governo à beira do colapso", acrescentou.

Na quinta-feira, May concordou estabelecer um calendário para a sua demissão de líder do Partido Conservador (e consequentemente da chefia do governo) depois de uma nova votação do acordo de saída no início de junho, independentemente de este passar ou não. Até agora, a primeira-ministra tinha dito que se demitia depois de ver o acordo aprovado.

Diante desta perspetiva, há quem considere não fazer sentido estar a discutir com a oposição um acordo que depois poderá não ser aplicado pelo sucessor ou sucessora de May. Segundo Watt, a porta está contudo ainda aberta para a segunda fase das negociações, sobre a realização de novos votos indicativos para saber que caminho os deputados querem seguir.

Diante da falta de consenso, o deputado do Labour que lidera a comissão do Brexit, Hilary Benn, defendeu esta manhã na BBC que a única solução é um segundo referendo. "Se as negociações não estão a chegar a lado de nenhum, do meu ponto de vista isso só leva a uma conclusão. Só há duas maneiras de sair da crise do Brexit: ou o Parlamento concorda com um acordo ou voltamos a pedir ao povo britânico que faça a sua escolha", afirmou.

Quase três anos depois do referendo e quase dois meses desde a data inicial para a saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit continua sem se concretizar e não se sabe de que forma será concretizável. O acordo de saída negociado entre May e Bruxelas foi rejeitado já três vezes pelos deputados britânicos, que também não chegaram a um consenso sobre um eventual caminho a seguir.

As negociações entre governo e Labour foram lançadas a 2 de abril, com Jeremy Corbyn a defender que tem que haver uma união aduaneira pós-Brexit que Theresa May recusa. Corbyn defende ainda a manutenção dos direitos dos trabalhadores.

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