Moody's: risco de brexit sem acordo "aumentou substancialmente"

Agência norte-americana de rating avisa que saída da União Europeia pode vir a provocar "recessão, inflação e desemprego" no Reino Unido, caso não haja entendimento no brexit

A agência de notação norte-americana Moody's considera que a saída do Reino Unido do bloco europeu, sem um acordo com os 27, é um risco que "aumentou substancialmente" nos últimos meses e que, a concretizar-se, prejudicará "a economia e a política fiscal" do país.

"O impacto imediato de um não acordo do 'Brexit' notar-se-ia primeiro com a acentuada queda do valor da libra, como aconteceu depois do referendo de 2016", explicou o diretor-geral da Moody's e principal autor do relatório, Colin Ellis.

Uma desvalorização que resultaria num aumento da inflação e numa redução dos salários dos trabalhadores nos próximos dois a três anos, lê-se no relatório, o que "deprimiria o crescimento económico" do país. Além disso, aumentaria a taxa de desemprego - que se situou em 4% entre maio e junho deste ano -, baixando a receita dos impostos e fazendo com que a economia do Reino Unido entrasse em recessão.

A Moody's refere ainda que os fabricantes de motores, a indústria da aviação, aerospacial e química seriam "as mais severamente afetadas". A agência de 'rating' diz, no entanto, esperar que as partes consigam chegar a um acordo.

O relatório da Moody's é divulgado no mesmo dia em que o ministro para as negociações do 'Brexit', Dominic Raab, exortou as empresas a deixar de usar a saída do Reino Unido da UE como desculpa para maus resultados de gestão.

Para esta tarde está marcado um Conselho de Ministros para analisar o cenário de uma saída sem acordo com a UE e emitir mais um lote de notas técnicas sobre os passos a tomar, por empresas e cidadãos, no cenário de um brexit . "Como faltam seis meses para o Reino Unido deixar a União Europeia, estamos a intensificar os nossos preparativos para um "não acordo ", para que o Reino Unido possa continuar a prosperar, independentemente do resultado das negociações", justificou Dominic Raab, em comunicado.

As notas técnicas dão conselhos e orientações sobre questões como tarifas de 'roaming' de telemóvel, normas ambientais e normas relativas a automóveis.

Na altura da publicação das primeiras 25 notas técnicas, em agosto, o governo britânico manifestou-se disposto a "tomar medidas unilaterais para manter a maior continuidade possível a curto prazo em caso de ausência de acordo e mesmo que a UE não o faça do seu lado".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.