Campanha de Bolsonaro investigada devido a uso de WhatsApp

O Tribunal Superior Eleitoral do Brasil aceitou contra a candidatura de Jair Bolsonaro para investigar um suposto esquema ilícito de distribuição em massa de mensagens no WhatsApp

A ação foi proposta pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e aceite pelo juiz Jorge Mussi, responsável pela fiscalização da regularidade dos serviços eleitorais, e deu prosseguimento a um pedido baseado em denúncias publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo.

O juiz iniciou a investigação e abriu prazo de cinco dias para a defesa do candidato da extrema-direita responder às questões suscitadas pela Ação de Investigação Judicial Eleitoral solicitada pelo PT.

Contudo, aquele magistrado rejeitou todos os pedidos de quebra de sigilo que constavam na ação.

Na quinta-feira, a Folha de S. Paulo noticiou que algumas empresas distribuíram pacotes de mensagens de forma massiva contrárias ao PT, através da rede social WhatsApp e com o patrocínio de empresários apoiantes de Bolsonaro.

O jornal brasileiro informou que descobriu um contrato de 12 milhões de reais (cerca de 2,8 milhões de euros) de uma empresa que distribuiu este tipo de mensagens com empresários que teriam agido como patrocinadores.

Na sequência da publicação, o candidato do PT, Fernando Haddad, acusou Bolsonaro de ter usado 'caixa 2' (dinheiro não declarado à Justiça eleitoral) na campanha, o que é crime eleitoral.

O candidato da extrema-direita negou que tenha pedido patrocínio de empresários para distribuir mensagens no WhatsApp e disse em entrevista ao portal de notícias O Antagonista que não tem controlo do que fazem os seus apoiantes.

O candidato do PSL lidera as intenções de voto das eleições presidenciais brasileiras, com 59%, contra os 41% do seu adversário Fernando Haddad. Ambos disputam a segunda volta das presidenciais brasileiras, que se realizam no próximo dia 28.

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