Brasileiros exigem expulsão de venezuelanos e fecho da fronteira em Roraima

Dezenas de pessoas reuniram-se em cortejo no bairro do Jardim Floresta antes do enterro do pintor brasileiro Manoel Siqueira de Sousa, de 35 anos, que morreu após ter sido esfaqueado ao procurar impedir a fuga de um venezuelano

Um protesto organizado no sábado por brasileiros nas ruas da cidade de Boa Vista, capital de Roraima, pediu o fecho da fronteira e a expulsão dos venezuelanos após a morte de duas pessoas na última quinta-feira.

Dezenas de pessoas reuniram-se em cortejo no bairro do Jardim Floresta antes do enterro do pintor brasileiro Manoel Siqueira de Sousa, de 35 anos, que morreu após ter sido esfaqueado ao procurar impedir a fuga de um venezuelano, Rodrigues, 21 anos, que também acabou linchado depois de ter tentado furtar uma lata de leite condensado num comércio local.

Antes de levarem o corpo do brasileiro até um cemitério da cidade, um homem não identificado numa motocicleta ameaçou verbalmente os venezuelanos que vivem num acampamento no Jardim Floresta que, assustados, correram para um abrigo onde tentaram armar-se com paus e pedras caso fossem atacados.

Em comunicado, as forças do Exército brasileiro que comandam a Operação Acolhida, criada para atender os imigrantes venezuelanos que estão no estado brasileiro de Roraima, explicaram a confusão: "Às 11:00 da manhã (16:00 em Lisboa), todas as mulheres e crianças que estavam na rua, foram acolhidas na parte interna do abrigo Jardim Floresta. Os homens seriam alojados numa igreja próxima (...). No entanto (...) um homem numa motocicleta ameaçou verbalmente os imigrantes que se assustaram com o barulho do escape da moto e correram para o abrigo como forma de proteção".

"Em nenhum momento houve invasão do abrigo" e a ação de retirada destas pessoas da rua já estava a ser finalizada, acrescenta-se na nota.

Os venezuelanos ameaçados no sábado vivem em barracas num acampamento improvisado perto do abrigo Jardim Floresta. Na quinta-feira, no dia em que se registaram as duas mortes, alguns venezuelanos disseram à Lusa que tinham medo de sofrer represálias dos brasileiros.

O incidente agravou o clima da tensão e a hostilidade em Boa Vista, dez dias depois do Presidente do Brasil, Michel Temer, ter anunciado a mobilização de 3200 soldados para reforçar a segurança na região.

Há cerca de um mês, a cidade de Pacaraima, que fica na fronteira do Brasil com a Venezuela, viveu um dia de conflitos quando 1200 venezuelanos que moravam nas ruas foram expulsos após um assalto a um comerciante brasileiro.

De acordo com dados oficiais, desde 2017 entraram no Brasil 154 920 venezuelanos por via terrestre na cidade de Pacaraima, mas cerca de 79 402 deles já regressaram ao seu país.

Entre aqueles que decidiram permanecer no Brasil, cerca de 5 200 estão a viver em abrigos construídos em Boa Vista e dependem da ajuda humanitária do Governo brasileiro e da Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.

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Nuno Artur Silva

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