Brasil quer resposta a pedido de extradição do suspeito do caso Lava Jato em 48 horas

Raul Schmidt foi detido hoje em Lisboa no cumprimento de uma carta rogatória relacionada com a Operação Lava Jato

O Brasil pediu a Portugal que a decisão sobre a data da extradição do luso-brasileiro Raul Schmidt Felippe Junior, detido hoje em Portugal no âmbito da Operação Lava Jato, seja tomada em dois dias. "Eles pediram que fosse decidido em 48 horas, como ele estava foragido, para que ele venha para o Brasil o quanto antes", disse à Lusa a assessoria do Ministério Público Federal de Curitiba.

A data da extradição será agora decidida pelo juiz responsável pelo caso em Portugal. Ainda hoje, o detido deverá ser ouvido no Tribunal da Relação de Lisboa. Raul Schmidt foi detido hoje pela Polícia Judiciária no âmbito do cumprimento de uma carta rogatória relacionada com a Operação Lava Jato. Esta foi a primeira operação internacional do caso que investiga lavagem de dinheiro e corrupção no Brasil.

Questionado sobre se a cooperação com Portugal no âmbito da Operação Lava Jato irá continuar, a mesma fonte referiu que, "em princípio" Portugal estava somente relacionado com a prisão de Raul Schmidt Felipe Junior.

O luso-brasileiro era procurado desde julho de 2015, altura em que a ordem de prisão foi expedida. Raul Schmidt Felippe Junior é investigado pelo pagamento de subornos aos ex-diretores da estatal petrolífera Renato de Souza Duque (Serviços), Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada (ambos da área Internacional). Os três estão presos no Brasil pela participação no esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa instalado na Petrobrás. Conheceram-se todos na Petrobrás quando aí trabalharam. Raul Schmidt saiu da petrolífera estatal em 1997.

Raul Schmidt foi sócio do ex-diretor da Área Internacional da Petrobrás Jorge Zelada, condenado no mês passado a 12 anos e dois meses de prisão por corrupção e branqueamento de capitais no âmbito da Operação Lava Jato.

Há 10 anos que o luso-brasileiro vivia fora do Brasil, segundo a carta que o seu advogado divulgou em julho do ano passado. Raul Schmidt tinha uma galeria de arte em Londres e uma casa em Lisboa, onde foi detido esta manhã. O apartamento onde as autoridades encontraram Raul Schmidt foi classificado de luxo pelo Ministério Público Federal, que o avaliou em três milhões de euros, mas estava registado numa offshore da Nova Zelândia.

A Operação Lava Jato começou em março de 2014 e é considerada uma das maiores investigações a atos de corrupção e branqueamento de capitais no Brasil. É no âmbito deste caso que o ex-presidente do Brasil Lula da Silva está a ser investigado.

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