Bouteflika é candidato na Argélia mas diz que não terminará quinto mandato

Para acalmar os protestos, presidente que está no poder desde 1999, comprometeu-se a não levar o mandato até ao fim.

O presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, anunciou que se ganhar as eleições de 18 de abril não irá levar o mandato até ao fim. O anúncio foi feito pelo seu diretor de campanha, depois de um fim de semana de protestos contra a ideia de que Bouteflika, de 82 anos e há muito ausente da esfera pública por problemas de saúde, vai concorrer a um quinto mandato consecutivo.

Os protestos foram os maiores desde os da Primavera Árabe de 2011, que levaram Bouteflika a levantar o estado de emergência que existia no país desde 1992.

Dezenas de milhares de pessoas saíram à rua desde sexta-feira, em várias cidades da Argélia, pedindo ao presidente que não concorresse. O prazo final para apresentar candidaturas termina este domingo.

A sua candidatura foi apresentada pelo diretor de campanha, Abdelghani Zaalane. Bouteflika está internado numa clínica na Suíça.

"O candidato Abdelaziz Bouteflika mandatou-me, conforme a lei eleitoral, para depor a sua candidatura à eleição presidencial", disse Zaalane, antes de ler a mensagem do presidente.

"Ouvi e percebi o grito no coração dos manifestantes e em particular dos milhares de jovems que me interpelaram sobre o futuro da nossa pátria", disse Bouteflika, no poder desde 1999. Estes jovens "exprimiram uma inquietude compreensível. Tenho o dever e a vontade de acalmar os corações e os espíritos dos meus compatriotas" e de responder "às suas exigências fundamentais de mudança do sistema", acrescentou.

"Se o povo argelino renovar a sua confiança em mim" a 18 de abril, "juro solenemente diante de Deus, diante do povo argelino", de organizar "uma eleição presidencial antecipada" cuja data será escolhia por uma "conferência nacional" criada após o escrutínio. "Comprometo-me em não ser candidato a esta eleição que assegurará a minha sucessão nas condições incontestáveis de serenidade, liberdade e transparência", acrescentou.

Segundo a Reuters, Bouteflika poderá cumprir só um ano de mandato.