Botswana pondera legalizar a caça de elefantes

Relatório propõe que a carne dos elefantes seja utilizada para alimentar animais de estimação. No país, as opiniões dividem-se.

Botswana, o país africano com a maior população de elefantes, pondera suspender a proibição de caça furtiva da espécie. De acordo com um relatório divulgado por um comité do governo, presidido por FransVan Der Westhuizen, em causa estará uma alegada superlotação destes mamíferos, que estará a causar problemas aos agricultores e à restante vida selvagem.

Além do levantamento da proibição de caça, o documento o propõe a "eliminação regular, mas limitada" destes animais para "níveis historicamente aceitáveis", bem como que a carne de elefante seja usada para alimentar animais de estimação.

Depois de assumir o cargo, em abril de 2018, o presidente Mokgweetsi Masisi já tinha pedido que fosse revista a lei que proíbe a caça de elefantes. Agora, o novo relatório reforça a sua vontade, o que, segundo o ABC, poderá levar a um reforço do setor do turismo, com a reintrodução dos safaris.

É estimado que existam 130 000 elefantes no país, o equivalente a um para cada 18 habitantes. Com esta população, Botswana é a casa de um terço dos elefantes africanos, o que, segundo algumas vozes, é demasiado para o ecossistema. Mas, conta a BBC, também há quem diga que houve um crescimento do turismo após a proibição da caça, e que o seu levantamento poderia afetar a reputação internacional do país.

Após o registo de um declínio da vida selvagem no norte do país, a proibição da caça foi aprovada pelo ex-presidente Ian Khama, em 2014. Mas esta poderá não se prolongar durante muito mais tempo, já que a intenção de Mokgweetsi Masisi é submeter o relatório a outras consultas para emitir uma decisão em breve.

"Se necessário, daremos a oportunidade ao parlamento para que o comente, e daremos espaço para que possa intervir antes de tomarmos uma decisão final", afirmou.

Quem defende a proposta alega que os elefantes podem causar estragos significativos quando invadem terrenos agrícolas e se movimentam nas aldeias, podendo até provocar mortes humanas.

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