Boris Johnson foge às perguntas sobre chamada da polícia à casa da namorada

Os dois candidatos à liderança do Partido Conservador estão num evento de campanha em Birmingham.

Boris Johnson, favorito à vitória na corrida à liderança do Partido Conservador, fugiu este sábado às perguntas sobre a chamada da polícia ao apartamento da sua namorada na madrugada de sexta-feira, dizendo que o que as pessoas querem ouvir é os seus planos para o partido e o país.

"Acho que as pessoas não querem saber sobre esse tipo de coisas", disse Johnson. "As pessoas têm direito a perguntar sobre a minha determinação e caráter e sobre o que quero fazer para o país. Mas saibam que politicamente eu cumpro as promessas que faço", afirmou num evento de campanha, apesar de o moderador, Ian Dale, insistir várias vezes sobre o tema e sobre se a vida privada afeta a capacidade de alguém ser primeiro-ministro.

Na plateia, perante a insistência de Dale, ouviram-se assobios. Quando o moderador perguntou diretamente se ele não ia comentar o facto de a polícia ter sido chamada, Boris disse: "Acho que isso é bastante óbvio."

Na madrugada de sexta-feira, a polícia foi chamada à casa da namorada de Boris Johnson, Carrie Symonds, depois de os vizinhos denunciarem pratos e copos a serem partidos e gritos durante a madrugada. Preocupados, os vizinhos foram tocar à porta mas não tiveram resposta. "Eu estava à espera que alguém atendesse a porta e dissesse 'estamos bem'. Eu toquei três vezes e ninguém veio até à porta", disse um vizinho ao The Guardian.

Boris Johnson, tal como o adversário Jeremy Hunt, participaram num evento de campanha em Birmingham, o primeiro de vários que vão decorrer ao longo do mês, até ser eleito o próximo líder do Partido Conservador.

Na sua intervenção inicial, Boris Johnson lembrou que "são dias negros para o nosso partido", falando dos números baixos dos Tories nas sondagens causados pelo falhanço em conseguirem garantir o Brexit. "Sou o homem certo para o conseguir", defendeu, lembrando que ele foi um dos rostos da campanha do Brexit e que tem pensado e dedicado muito tempo ao tema.

"Estou convencido que, com a energia correta, vamos conseguir prevalecer", explicou o ex-chefe da diplomacia britânica, em relação aos que lembram que a União Europeia não aceita voltar a negociar o Brexit. Mas, caso não seja possível, reiterou, é preciso preparar uma eventual saída a 31 de outubro "com ou sem acordo", nos termos da Organização Mundial de Comércio.

"A minha ambição é unir este país", defendeu, usando os dados dos seus dois mandatos à frente da câmara de Londres para mostrar aquilo de que é capaz. Promete revitalizar o partido e ganhar ao líder trabalhista, Jeremy Corbyn.

Uma sondagem YouGov, feita antes de o The Guardian publicar a notícia, pôs Boris Johnson com 74 pontos percentuais, contra 26% de Jeremy Hunt. Resta saber o impacto que os eventos da madrugada de sexta-feira terão nos números.

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