"Bordel" de bonecas sexuais em Paris pode continuar aberto. Feministas e comunistas queriam fechá-lo

Autores da moção alegam que a Xdolls é humilhante para as mulheres e que é a "última invenção para trazer de volta os bordéis"

Uma moção para fechar um serviço com bonecas sexuais, que os críticos chamavam de bordel, foi rejeitada pelas autoridades de Paris. As queixas tinham vindo de deputados comunistas da assembleia municipal e de grupos feministas, que consideram o serviço - de bonecas sexuais de silicone, a um custo de 89 euros por hora - humilhante para as mulheres e semelhante ao de um bordel, algo que é proibido em França.

Mas após um visita às instalações da Xdolls, a empresa em causa, o conselho municipal de Paris concluiu que não estavam a ser quebradas quaisquer leis, explica a BBC.

Dois representantes comunistas na assembleia municipal de Paris já vieram criticar a decisão. Nicolas Bonnet Ouladj e Hervé Bégué afirmaram que "o estabelecimento, com hiper-realistas bonecas humanoides, é a última invenção para trazer de voltas os bordéis".

Referem ainda que a Xdolls é o "pináculo da desumanização das relações entre homens e mulheres" e acusam ainda o negócio de banalizar a exploração das mulheres em redes de prostituição e o tráfico humano.

Ao Le Parisien, o dono Joachim Lousquy, de 29 anos, disse que os clientes estão maioritariamente entre os 30 e os 50 anos, e que são sobretudo homens, apesar de vários casais também visitarem o espaço. O serviço foi lançado em fevereiro e é o primeiro do géneem na capital francesa

A morada da Xdolls não é conhecida, e o apartamento onde funciona não é identificável. Existem três quartos, cada um com uma pequena boneca de metro e meio, que vale milhares de euros, diz também Lousquy, acrescentando que, na sua opinião, as bonecas são apenas brinquedos sexuais e não são degradantes para as mulheres.

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