Bolsonaro reduz horário do exército: "Não há comida, nem dinheiro"

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, disse esta sexta-feira que todo o país "está sem dinheiro", o que levará o Exército a trabalhar em horário reduzido, acrescentando que há falta de comida para os recrutas.

"O Exército vai entrar em meio expediente [jornada de trabalho mais curta], porque não tem comida para dar ao recruta, que é filho de pobre. A situação que nós encontramos é grave. Não há maldade da minha parte. Não há dinheiro, só isso, mais nada", afirmou Bolsonaro aos jornalistas, após participar nas comemorações do Dia Internacional da Juventude, em Brasília.

O chefe de Estado adiantou que "os ministros estão apavorados" com a falta de verbas.

"Em casa onde falta pão todos discutem e ninguém tem razão. Os ministros estão apavorados, estamos aqui a tentar sobreviver no corrente ano. Não há dinheiro", concluiu o Presidente do Brasil que tomou posse em janeiro passado.

Em abril deste ano, o Governo brasileiro bloqueou 5,8 mil milhões de reais (1,3 mil milhões de euros) do orçamento do Ministério da Defesa, valor que representa 44% das despesas não obrigatórias da pasta.

O comunicado foi feito pelo ministro da Defesa do Brasil, general Fernando Azevedo e Silva, numa reunião com elementos do Alto Comando das Forças Armadas, que incluem os principais chefes da Marinha, Exército e Força Aérea.

"Tal bloqueio, no momento, não impõe necessidade de mudanças na operacionalidade do Ministério da Defesa. A pasta trabalha com a expectativa de recuperação da economia e reequilíbrio do orçamento brevemente", informou na ocasião a assessoria do ministério.

O bloqueio faz parte de um decreto de programação orçamental definido pela área económica do executivo liderado por Jair Bolsonaro, que atingiu outros setores, como é o caso da Educação, em que se registaram cortes de 30% no orçamento das universidades e institutos federais.

Porém, no final do mês passado, depois de rever em baixa a expectativa de crescimento da economia para este ano, o Ministério da Economia anunciou um novo bloqueio de gastos de 1,44 mil milhões de reais (cerca de 320 milhões de euros) no orçamento de 2019, sem revelar, no entanto, quais seriam as áreas mais afetadas pelos novos cortes.

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