"Bolsonaro é um fantoche perigoso da direita"

Mariana Patrício integra o grupo "Mulheres Unidas Contra Bolsonaro" e, dia 29, vai participar na manifestação organizada pelo grupo contra o candidato do Partido Social Liberal (PSL).

Habituada ao ativismo e à contestação, Mariana Patrício faz parte do grupo de mulheres contra o candidato extremista de direita que, no dia 6, foi esfaqueado em Juiz de Fora, no estado brasileiro de Minas Gerais.

Professora universitária, carioca, tem ascendência portuguesa, pois é neta de Rui Patrício, ministro dos Negócios Estrangeiros de Salazar no Estado Novo, ainda vivo e a residir no Brasil.

Em entrevista ao DN diz que "Bolsonaro é um fantoche da direita, mas um fantoche muito periogoso, pois incita ao ódio contra todos os grupos minoritários, LGBT e contra mulheres".

Porque faz parte do grupo "Mulheres Unidas Contra Bolsonaro"?

Muitas amigas colocaram-me no grupo e eu fui colocando outras. Dessa forma, chegamos a um milhão de mulheres. Na verdade já estamos organizadas organicamente assim, há cerca de três anos.

O que a move contra o candidato?

Eu vou à manifestação dia 29, que se vai realizar não apenas aqui no Rio mas em 40 cidades Brasil afora, porque Bolsonaro é um fantoche da direita mas um fantoche muito perigoso. Ele incita o ódio contra todos os grupos minoritários, LGBT e contra mulheres. Minorias que são já são hostilizadas diariamente no Brasil. Então é a nossa hora, a hora de dizer que esse paspalho não vai chegar ao poder, por nós, por nossas filhas e filhos, pelo Brasil.

Especialistas em sondagens dizem que é o voto das mulheres que vai decidir a eleição - e, por consequência, parte dos candidatos escolheu mulheres para o cargo de vice-presidente. É uma vitória?

Isso anima-me muito mas ainda há um longo caminho a trilhar. Certamente os candidatos terem que reconhecer que existimos já é um passo, o próximo é sermos nós a tomar as decisões. Por isso, este ano só vou votar em mulheres para o legislativo e acho que isso já é uma tendência. Inclusivamente alguns homens que já não aguentam mais esse estado de coisas também.

Passaram seis meses da execução da vereadora Marielle Franco (PSOL) no Rio. Como brasileira e carioca, como se sente por saber que não há avanços palpáveis ainda nas investigações sobre o crime?

Hoje acordei chorando os seis meses da Marielle. Em 2016 fiz muita campanha por ela para a eleger vereadora e ela era a minha esperança de renovação. Entretanto, vivemos um estado de exceção aqui na cidade, sobretudo a população negra e todo o mundo que vive na favela. Eu não acredito na polícia que tem desde sempre uma orientação racista no Rio de Janeiro mas ainda assim torço para que tenha gente séria que consiga punir os responsáveis por esse crime.

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