Bolsonaro diz que se for eleito vai tirar o Brasil da ONU

O candidato do Partido Social Liberal às eleições presidenciais brasileiras de 7 de outubro diz que a organização atualmente liderada por António Guterres "não serve para nada" e é "um local de reunião de comunistas"

"Se eu for presidente eu saio da ONU. Não serve para nada essa instituição. Sim, saio fora, não serve para nada a ONU. É um local de reunião de comunistas e gente que não tem qualquer compromisso com a América do Sul pelo menos", afirmou este sábado Jair Bolsonaro, após a cerimónia de formatura de cadetes na Academia Militar de Agulhas Negras, em Resende, no sul do estado brasileiro do Rio de Janeiro.

As afirmações do candidato do Partido Social Liberal (PSL) às eleições presidenciais de 7 de outubro no Brasil surgem depois de o Comité de Direitos Humanos da ONU ter pedido na sexta-feira ao Brasil que permita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), ser candidato neste escrutínio. O país é atualmente governado por Michel Temer, que a 31 de agosto de 2016, substituiu Dilma Rousseff, também do PT, após o processo de impeachment da mesma.

Este comité, cujas decisões não são vinculativas, solicitou que o país não impeça Lula de concorrer às eleições presidenciais de 2018 até que os seus recursos na Justiça tenham sido esgotados por completo. O ex-chefe do Estado, de 72 anos, foi condenado em duas instâncias num caso relacionado com um apartamento de luxo na cidade do Guarujá, que lhe foi supostamente dado como suborno pela construtora OAS em troca de favores em contratos desta empresa com a Petrobras. Lula, preso em Curitiba desde 7 de abril, diz estar ser inocente e quer voltar governar o Brasil.

Bolsonaro, de 63 anos, é o favorito nas sondagens para as presidenciais, mas só se Lula não entrar na equação. Horas antes de fazer aquelas declarações após a cerimónia na academia militar, o candidato do PSL, considerado de extrema-direita, já tinha defendido a saída do Brasil da ONU através de um post que fez na sua conta na rede social Twitter: "Há mais ou menos 2 meses falei em entrevista que já teria tirado o Brasil do Conselho da ONU, não só por se posicionarem contra Israel, mas por sempre estarem do lado de tudo o que não presta. Este atual apoio a um corrupto condenado e preso é só mais um exemplo da nossa posição".

A ONU, organização mundial fundada em outubro de 1945, no pós-Segunda Guerra Mundial, conta hoje em dia com 193 Estados membros. O Brasil é um dos países fundadores. Ao longo dos anos os brasileiros têm-se batido pelo direito de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. No máximo órgão decisor da organização atualmente liderada por António Guterres continuam a só ter lugar permanente, até aos dias de hoje, EUA, Rússia, França, Reino Unido e China.

O candidato do PSL, um dos 13 que se registaram para participar na corrida eleitoral, já habituou o Brasil - e o mundo - às suas declarações polémicas. No final de julho, por exemplo, afirmou perante um painel do programa de TV Roda Viva: "O português nem pisava África, eram os negros que entregavam os escravos". Bolsonaro deu essa resposta para se declarar contra a política de quotas para negros nas universidades. "Essa política só visa dividir o Brasil entre brancos e negros." O candidato negou ter qualquer dívida para com os negros diante da escravatura. "Dívida histórica? Eu nunca escravizei ninguém na minha vida", afirmou o também capitão do Exército na reserva, naquele programa cultural brasileiro.

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Anselmo Borges

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