Dois estudantes mortos em ataque a igreja. "Repressão criminosa", acusa bispo

Bispo auxiliar de Manágua acusa Daniel Ortega de ultrapassar "o limite do desumano e do imoral"

O bispo auxiliar de Manágua acusou o governo de Daniel Ortega de "repressão criminosa" e de ultrapassar "o limite do desumano e do imoral" na crise que já causou mais de 351 mortos, incluindo dois jovens num ataque deste sábado a uma igreja. Outras 16 pessoas ficaram feridas.

"O Governo da Nicarágua atravessa o limite do desumano e do imoral. A repressão criminal desde a noite de sexta-feira contra civis, a maioria estudantes, é condenável sob todo o ponto de vista", considerou o responsável religioso através de uma mensagem na rede social Twitter.

"A comunidade internacional não pode ficar indiferente!", realçou Silvio Báez.

O bispo auxiliar, que foi agredido na semana passada, numa basílica de Diriamba, no sul do país, por um grupo de parapolícias ligados aos Governo, disse numa outra mensagem que "o que acontece, desde a noite, com os ataques criminosos da polícia e dos parapolícias contra estudantes da UNAN [universidade] e a Paróquia Misericórdia, em Manágua, provocando feridos e mortos, é desumano e injustificável".

Dois jovens foram mortos durante um ataque realizado pelas forças pró-governamentais contra uma igreja de Manágua, onde padres católicos tentavam fazer sair dezenas de jovens que aí se tinham escondido desde a noite de sexta-feira.

Durante aquela operação, dezenas de estudantes saíram da igreja, depois de um processo de mediação levado a cabo pela Igreja católica.

Um grupo de estudantes refugiara-se na igreja da paróquia Divina Misericórdia de Manágua, onde estiveram vigiados por um grupo de parapolícias e paramilitares que pouco antes tinham atacado a UNAM.

Os estudantes estavam há várias semanas barricados na sede universitária, ao lado da igreja, a pedir a renúncia do Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

Os protestos contra o Presidente começaram a 18 de abril e os manifestantes argumentam com o insucesso das reformas da segurança social, além das acusações de abuso de poder e corrupção.

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