Biografia polémica. Deputado e jornalista dizem que David Cameron fez ato obsceno com um porco

Amigos do primeiro-ministro britânico desmentem e o seu gabinete não comenta. Incidente já foi apelidado #piggate.

Uma nova biografia do primeiro-ministro britânico, assinada pelo deputado conservador Lord Ashcroft e pela jornalista Isabel Oakeshott, está a gerar polémica no Reino Unido por conter alegações de um ato obsceno cometido por David Cameron, que teria sido praticado como ritual de iniciação para se juntar a um clube e envolveria um porco morto. As alegações foram rejeitadas pelo gabinete do primeiro-ministro.

Um excerto da biografia Call Me Dave, publicado no jornal Daily Mail, inclui alegações de que David Cameron fumava drogas enquanto frequentava a universidade e que sabia que um dos seus amigos mantinha contas offshore para fugir ao fisco. Mas o pormenor que está a obter mais atenção e a incendiar os média britânicos esta segunda-feira é o testemunho de um anónimo que garante que Cameron "colocou uma parte privada da sua anatomia na boca de um porco morto", conforme cita o jornal The Telegraph. A "revelação" já está a ser apelidada #Piggate, numa referência ao escândalo Watergate que terminou com a presidência de Nixon nos EUA.

No livro Call Me Dave, o autor Lord Ashcroft cita uma pessoa que não quis ser identificada que terá visto uma fotografia desse ato. O livro alega que David Cameron terá praticado o ato como ritual de iniciação para se juntar a um clube conhecido por práticas indecentes. A alegada fotografia não veio a público.

O gabinete do primeiro-ministro britânico, em Downing Street, anunciou que não iria "dignificar o livro com um comentário", de acordo com o jornal Guardian. Ao Telegraph, amigos de Cameron garantiram que o primeiro-ministro nunca pertenceu ao clube no qual terá alegadamente sido iniciado.

Lord Ashcroft e David Cameron pertencem ambos ao partido conservador, mas a sua relação tem-se deteriorado ao longo dos anos. Num dos excertos do livro, Ashcroft diz que falou com David Cameron antes de este ter sido eleito em 2010, e que ele e o futuro primeiro-ministro tinham debatido uma posição para Ashcroft no novo governo, lugar esse que não se concretizou. Esse desentendimento leva alguns jornalistas e publicações, incluindo o Daily Mail que tem publicado os textos de Ashcroft, a afirmar que o livro é motivado por um desejo de vingança. Na capa desta segunda-feira do Daily Mail, por exemplo, lê-se "Vingança!".

As alegações acerca do primeiro-ministro estão a animar as redes sociais sob a hashtag #Piggate, ou ainda #Hameron, uma mistura entre o apelido de Cameron e a palavra inglesa para fiambre. O argumentista da série distópica Black Mirror, em cujo primeiro episódio um primeiro-ministro ficcional é forçado a ter relações sexuais com um porco, fez alguns posts chocados no Twitter. "Ao que parece Black Mirror é uma série documental", brincou.

Um dos amigos de David Cameron que surgia citado no livro como uma das pessoas que consumia drogas na faculdade, James Delingpole, escreveu no Twitter, com sentido de humor: "Nego tudo. Nós não travávamos. Ou assim". Outros internautas fizeram fotomontagens e desenterraram fotos antigas de Cameron que tiraram de contexto.

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