Bilionário chinês avisa Trump: tratamento indevido pode custar empregos aos EUA

Wang considerou que a atenção do Congresso dos EUA reflete a crescente influência do seu grupo nos EUA

Wang Jianlin, o homem mais rico da China, avisou o Presidente norte-americano eleito, Donald Trump, de que mais de 20.000 postos de trabalho nos Estados Unidos serão colocados em risco, caso "não trate devidamente" o investimento chinês.

"Tenho cerca de 10.000 milhões de dólares (9,4 mil milhões de euros) investidos nos EUA e emprego mais de 20.000 pessoas", lembrou este fim de semana o presidente do grupo Wanda Group, durante um fórum.

"Se estes empreendimentos não forem devidamente tratados, eles não terão o que comer", disse, segundo uma transcrição colocada no 'site' da empresa.

Wang revelou ainda que pediu a Chris Dodd, o presidente da Motion Picture Association of America, associação que representa os principais estúdios de cinema de Hollywood, para entregar essa mensagem a Trump.

Wang respondia a uma questão sobre o aumento do escrutínio por parte de Washington sobre a compra de ativos na indústria do entretenimento norte-americana por firmas chinesas. "Pelo menos na indústria do cinema e da televisão, têm que perceber que os filmes em língua inglesa dependem dos resultados de bilheteira na China para crescerem", disse.

Nos últimos anos, grupos chineses têm concretizado negócios mediáticos, adquirindo grandes estúdios de televisão e produtoras de cinema nos EUA.

Legisladores norte-americanos apelaram já à Comissão para o Investimento Estrangeiro nos EUA, um grupo que avalia os riscos dos investimentos para a segurança nacional, para que escrutinem aquelas aquisições, inclusive as feitas pelo grupo Wanda.

Em 2012, o grupo Wanda adquiriu a empresa norte-americana AMC Entertainment, proprietária da segunda maior cadeia de cinemas dos EUA.

Em janeiro passado, comprou a Legendary Entertainment, produtora de filmes como "Jurassic World" e "Godzilla", por 3.500 milhões de dólares.

Este verão, o conglomerado anunciou ainda a compra do grupo britânico de Odeon & UCI Cinemas, presente no mercado português, onde é o segundo maior exibidor, por 1,2 mil milhões de dólares.

Wang considerou que a atenção do Congresso dos EUA reflete a crescente influência da sua firma nos Estados Unidos.

"Vamos esperar para ver qual é a atitude do senhor Trump para com os investimentos chineses depois de ele assumir o cargo", concluiu.

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