Bebé morre após ter sido "esquecido" no carro pelo pai

A criança de um ano e 10 meses esteve mais de sete horas fechada dentro do carro. Pai diz que se esqueceu de deixar o filho na creche e levou-o para o trabalho por engano

Um homem está ser julgado em Geórgia, Estados Unidos, por ter deixado o filho de um ano e 10 meses dentro do carro durante mais de sete horas. Justin Harris afirma que se esqueceu da criança, que acabou por morrer após ter suportado dentro do veículo temperaturas que chegaram aos 49 graus Celsius.

O incidente aconteceu em junho de 2014, mas o julgamento começou esta semana. Justin Harris enfrenta uma acusação de homicídio e poderá ser condenado a prisão perpétua.

Justin Harris deveria ter deixado o filho na creche na manhã de 18 de junho mas, ao invés, foi trabalhar e deixou o filho no banco de trás no carro, segundo a CNN. O homem, que tinha 33 anos na altura, chegou ao trabalho às 9:25 da manhã e apenas saiu do emprego quando já passavam das 16 horas.

Por volta das 12:45, Harris foi ao carro deixar umas lâmpadas que tinha comprado durante a hora de almoço mas, segundo as declarações da defesa esta segunda-feira, não viu que o filho estava sentado no banco de trás. Exames médicos comprovaram que a esta hora a criança já estava morta.

O pai só terá reparado que trazia o filho no carro minutos depois de sair do trabalho. Nesse momento, Justin Harris parou no parque de estacionamento de um centro comercial e começou a gritar, enquanto pegava no filho ao colo.

Testemunhas dizem que Harris estava muito alterado. Os paramédicos foram chamados ao local, mas já era tarde demais.

Enquanto a defesa argumentou em tribunal que Harris era um pai dedicado que cometeu um erro, alegando até uma perda de memória, a procuradoria afirma que o norte-americano sabia que o filho estava no carro e agiu conscientemente.

A acusação baseou-se no que o detetive da polícia Phillip Stoddard descreveu como "a vida dupla de Harris". O homem tinha trocado mensagens de teor sexual com seis mulheres no dia em que o filho morreu, incluindo uma jovem menor de idade, e terá dito a uma delas "eu amo o meu filho, mas nós os dois precisamos de escapes" e "tenho saudades de ter um tempo só para mim", conforme Phillip Stoddard afirmou no seu testemunho.

"Naquele dia, enquanto o filho cozinhava até à morte, ele estava a trocar mensagens com uma rapariga de 16 anos para tentar receber fotografias da sua área vaginal", disse em tribunal Chuck Boring, advogado da acusação.

A reação da mãe do bebé Cooper, e agora ex-mulher de Harris, ao incidente também está a ser escrutinada pela acusação. Quando Leanna Harris foi buscar o filho à creche e lhe foi informado que a criança não estava lá, ela disse "Ross deve tê-lo deixado no carro. Não há outra explicação", segundo a CNN.

As autoridades revelaram ainda em tribunal que Harris tinha feito pesquisas na internet sobre mortes de bebés dentro de carros alguns dias antes de o filho morrer e sobre "como sobreviver na prisão". Harris afirmou que fez estas pesquisas porque "tinha medo que lhe pudesse acontecer", segundo a polícia.

O julgamento de Justin Harris deverá durar cerca de um mês. O caso tem sido acompanhado atentamente pelos meios de comunicação e pela população, e comentado nas redes sociais.

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