BBC e Guardian foram processados por terem divulgado "Papéis do Paraíso"

Firma de advocacia Appleby exige indemnização, devolução dos documentos e proibição de futuras publicações sobre os mesmos

A estação pública britânica BBC e o diário The Guardian informaram hoje que a firma de advocacia Appleby iniciou ações legais contra estes meios por terem publicado os designados 'Papéis do Paraíso'.

Estes documentos revelaram investimentos em praças financeiras 'offshore', designadas paraísos fiscais, por parte de líderes e personalidades mundiais.

A Appleby processou-os por revelação de segredos e pretende a devolução dos documentos que serviram de base à publicação das informações, em resultado de uma investigação internacional que envolveu 382 jornalistas de quase 100 meios de informação internacionais.

A BBC afirmou que se vai defender de forma "vigorosa" e garantiu que as revelações eram "do maior interesse público".

Por seu lado, um porta-voz do The Guardian assinalou que a pretensão da Appleby "pode ter profundas consequências e impedir os meios de comunicação britânicos de levar a cabo um jornalismo de investigação sério que promova o interesse público".

As revelações dos 'Papéis do Paraíso' baseiam-se em 13 milhões de documentos procedentes desta firma de advocacia que foram fornecidos ao diário alemão Suddeutsche Zeitung e partilhados com o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sua sigla em inglês).

Em Espanha, a cadeia de televisão La Sexta e o diário eletrónico El Confidencial publicaram informação provenientes destes documentos.

Segundo a BBC, a Appleby quer agora uma ordem judicial para evitar a publicação futura destes documentos e a devolução de todas as cópias que tenham sido distribuídas.

A rainha Isabel II de Inglaterra, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, os cantores Bono e Madona estão entre os 127 líderes e personalidades internacionais vinculados a sociedades instaladas em paraísos fiscais, segundo esta investigação.

A BBC e o The Guardian publicaram, entre outras informações, detalhes sobre um investimento de 7,5 milhões de dólares (6,3 milhões de euros) do ducado de Lancaster, parte do património da soberana britânica, em um fundo das ilhas Caimão.

Revelaram também que o príncipe Carlos de Inglaterra, primogénito de Isabel II, investiu 3,9 milhões de dólares, através do Ducado da Cornualha, em quatro fundos registados nestas mesmas ilhas.

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