Autoridades da Nicarágua invadem e fecham emissora de televisão

As autoridades da Nicarágua invadiram esta sexta-feira as instalações de um canal de televisão cuja emissão foi interrompida, uma semana depois de terem invadido sedes de grupos não-governamentais e de um jornal crítico do Governo de Daniel Ortega.

Um dos responsáveis da estação 100% Notícias enviou mensagens na rede social WhatsApp para outros jornalistas para informar que o diretor da emissora, Miguel Mora, foi detido durante esta ação, após apoiantes do Presidente Daniel Ortega terem apresentado queixas criminais acusando-o de gerar o ódio durante uma onda de protestos contra o Governo, que eclodiu em abril.

Outra responsável da estação, Lucia Pineda, também disse que a polícia estava a retirar equipamentos da estação. O regulador nacional de radiodifusão emitiu mesmo um comunicado proibindo os operadores de cabo de emitirem o sinal da estação.

A polícia invadiu na semana passada as sedes de grupos como o Centro de Direitos Humanos da Nicarágua e o jornal Confidencial. O Governo da Nicarágua ordenou, na quarta-feira, a expulsão de duas missões que tinham sido encarregadas pela Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH) de investigar eventuais violações cometidas durante a repressão das manifestações antigovernamentais de abril.

As duas missões - o Mecanismo Especial de Seguimento para a Nicarágua (MESENI) e o Grupo Interdisciplinar Especial de Investigação (GIEI) - são acusadas de "ingerência" e "falta de imparcialidade e objetividade".

As expulsões acontecem depois de o executivo do Presidente Daniel Ortega ter retirado o estatuto jurídico a organizações locais de defesa dos direitos humanos e ter ocupado as suas sedes, bem como as de órgãos de comunicação social independentes.

Em setembro, o Governo da Nicarágua tinha já expulsado a missão do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos por considerar que um relatório sobre a situação do país era tendencioso, subjetivo e ultrapassava as competências da ONU.

A Nicarágua, um dos países mais pobres da América Central, é liderado desde 2006 pelo antigo combatente sandinista Daniel Ortega, que há mais de seis meses enfrenta manifestações antigovernamentais.

Em abril, as manifestações contra as reformas económicas do Governo foram reprimidas violentamente pelas autoridades e fizeram escalar as reivindicações dos manifestantes para o pedido de demissão de Daniel Ortega.

No balanço, as organizações humanitárias contam entre 325 e 545 mortos, enquanto o Governo admite 190, assegurando que a sua ação foi em resposta a uma "tentativa de golpe de Estado".

Foram ainda registados 610 "presos políticos", segundo as organizações não-governamentais, e acusados 273 "suspeitos de terrorismo", de acordo com as autoridades.

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