Autarca filipino morto a tiro tornando-se no sexto eleito assassinado desde maio

Político era um dos suspeitos de ligações ao tráfico de droga

Um autarca filipino, cujo nome integrava uma lista de autoridades eleitas acusadas pelo Presidente, Rodrigo Duterte, de envolvimento com o narcotráfico, foi esta quarta-feira morto a tiro no seu gabinete, o sexto eleito assassinado desde maio, informou a polícia.

O homicídio de Mariano Blanco, autarca da cidade de Ronda, no sul do país, é o mais recente de uma série de assassínios de políticos eleitos suspeitos de ligações ao tráfico de drogas.

A vida política nas Filipinas é tradicionalmente repleta de violência, mas organizações de direitos humanos alertam que a situação foi agravada pela campanha do presidente, Rodrigo Duterte, contra as drogas.

Mariano Blanco, de 59 anos, foi morto por desconhecidos quando se encontrava no seu gabinete, disse o chefe de polícia local, o inspetor Jayr Palcon, à agência de notícias France-Presse.

"Testemunhas disseram que quatro pessoas armadas saíram de uma carrinha branca e entraram na prefeitura. O prefeito estava lá a dormir no seu gabinete", disse o inspetor.

Segundo Jayr Palcon, o nome de Mariano Blanco estava na lista do presidente Duterte de funcionários eleitos suspeitos de serem consumidores, traficantes ou de protegerem o tráfico de droga, uma informação confirmada pela Agência Anti-Narcóticos das Filipinas.

Blanco foi morto a tiros quase um ano depois de a Comissão Nacional de Polícia lhe ter retirado os poderes sobre a polícia local por ser suspeito de "realizar atividades ilegais relacionadas com o tráfico de drogas", afirmou um porta-voz da agência.

Este homicídio eleva para pelo menos seis o número de autarcas mortos desde maio no arquipélago.

Em julho, Antonio Halili, líder do município de Tanuan, sul de Manila, foi morto a tiro por um franco-atirador durante uma cerimónia que decorria na prefeitura.

Desde que Duterte chegou ao poder no final de junho de 2016, a polícia alega ter matado 4.410 supostos traficantes de drogas e toxicodependentes.

As organizações não-governamentais dizem que esse número deve ser o triplo e defende que os dados apontam para um possível crime contra a Humanidade, acusando a polícia e as milícias de matarem pessoas sem sequer terem qualquer prova de seu possível envolvimento no tráfico de drogas.

Em fevereiro, o sobrinho de Blanco e o vice-prefeito de Ronda, um advogado, também foram mortos a tiro no final de uma audiência num tribunal no qual estava a defender um cliente suspeito de ser traficante.

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