Australiana lembra-se de tudo desde que nasceu. Até de lhe tirarem uma foto aos 12 dias

Rebecca Sharrock afirma que se lembra de ter começado a sonhar aos 18 meses e sabe citar os livros de Harry Potter

"Quando estava a ler um jornal em 2014, vi um artigo que dizia que era impossível lembrarmo-nos de eventos pessoais que nos tenham acontecido antes dos quatro anos. Pensei: 'que disparate'". As palavras são de Rebecca Sharrock, uma das 80 pessoas no planeta que tem uma Memória Biográfica Altamente Superior (HSAM, em inglês).

Num artigo escrito no blog Omni, Rebecca, de 27 anos, natural de Brisbane, Austrália, explica que se lembra de algo que aconteceu quando tinha apenas 12 dias de vida. O acontecimento em causa é uma fotografia em que os pais a colocaram ao volante do carro.

"Como bebé estava curiosa em relação ao volante e ao assento do carro", escreveu.

Consegue citar os livros de Harry Potter palavra por palavra mas, por outro lado, também se recorda de todos os momentos mais dolorosos, de acordo com o The Independent.

Rebecca fala de como observava, do berço, os seus brinquedos e a ventoinha no quarto. Fala de um "vestido de cetim que lhe fazia comichão" no seu primeiro aniversário e também de um brinquedo da Minnie que a "aterrorizava".

"Quando tinha 18 meses comecei a sonhar sempre que adormecia. Naquela idade eu pensava que estava a deixar a minha casa quando estava a dormir e, por isso, queria a minha mãe comigo sempre que dormia", acrescentou.

Para melhor entender a mente e a memória humana, Rebecca Sharrock faz atualmente parte de dois estudos, com cientistas norte-americanos e australianos, na esperança que a investigação possa ajudar pessoas com problemas de memória e até demência.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.