Aumentar a segurança nos aeroportos e mais agentes infiltrados

Peritos em contraterrorismo analisam erros e fragilidades revelados nos atentados de Bruxelas

Segurança nos aeroportos alargada aos terminais, mais infiltração policial entre as comunidades de risco e melhores técnicas de interrogatório aos suspeitos. Estas são algumas das medidas em estudo no combate ao terrorismo e que, no essencial, resultam da análise que tem estado a ser feita pelos peritos em contraterrorismo em todo o mundo.

Os atentados de Bruxelas revelaram algumas fragilidades na capacidade preventiva policial que não se circunscreve apenas aos belgas, pois em toda a Europa as organizações são semelhantes e têm problemas idênticos. "O que se faz quando o pior acontece e já não é possível evitar é, ao mesmo tempo que há forças no terreno ainda em reação e perseguição, há outro pessoal a fazer os debriefings (análises) e as learned lessons (lições aprendidas) para se compreender o que é possível fazer melhor para evitar que aconteça de novo", sublinha fonte da investigação do terrorismo. As polícias portuguesas estão atentas e partilham as mesmas preocupações que as outras forças europeias.

Assim, sistematizando os pontos-chave que já foram identificados, a segurança dos aeroportos, por um lado, e a segurança em outras grandes plataformas de transportes, como o metro, ou comboios, é uma preocupação. Os dois bombistas suicidas que se explodiram no aeroporto fizeram-no junto ao check-in, o que leva a concluir que o controlo que se faz antes da entrada para a zona de embarque não é suficiente. Alargar a segurança às entradas dos terminais é uma hipótese a considerar, embora dispendiosa e a exigir mais meios humanos. "Uma hipótese é considerar a zona do check-in como área reservada e só permitir acesso a portadores de bilhete, depois de identificados. O rastreio de segurança pode ser na fase seguinte, como acontece agora. Mas essa é matéria que será a Autoridade Nacional de Aviação Civil a determinar, em coordenação com as autoridades europeias", sustenta um oficial da PSP especialista na segurança aeroportuária. O mesmo se passa em relação ao metropolitano. Trata-se de uma infraestrutura cheia de possíveis entradas e saídas, onde é impossível haver um controlo policial absoluto. Tal como em outros terminais de transportes, como é o caso da nossa Gare do Oriente.

Os ataques contra transportes públicos são muito eficazes do ponto de vista dos terroristas: não exigem muito financiamento, produzem muitas vítimas, provocam grande impacto psicológico e paralisam os sistemas de comunicações, prejudicando a economia.

Outro ponto-chave identificado é a infiltração das polícias nos bairros de risco, com uma rede de informadores eficaz. "Os atentados organizados por grupos terroristas, ao contrário dos perpetrados pelos "lobos solitários" são os que produzem o maior número de vítimas. Mas nos ataques deste tipo há um número maior de cúmplices envolvidos, incluindo os ativistas que idealizam o ataque, o planeiam, preparam os apoios no terreno, treinam os terroristas e, claro, aqueles que o executam. Por isso, em teoria, este tipo de ataques também permite à inteligência policial mais oportunidades de se infiltrar e de ter pistas sobre o que está em curso.

Uma avaliação do Instituto de Contraterrorismo de Israel, que reúne peritos de todo o mundo, salienta também a necessidade de serem revistas as técnicas de interrogatório.

Tudo indica que, quando foi detido, Salah Abdeslam estaria ao corrente dos atentados que iam acontecer. Apesar de alguns investigadores ouvidos pelo DN acreditarem que a sua detenção precipitou os atentados, que estariam planeados para ser em maior escala, é um facto que os interrogatórios policiais a Abdeslam não conseguiram que confessasse o que estava preparado. Os contraterroristas chamam a este tipo de suspeitos "bomba-relógio". O sucesso de um interrogatório pode salvar muitas vidas.

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