Atleta nada do Japão aos EUA para chamar a atenção para a poluição do Pacífico

Vão ser 9000 km percorridos durante seis meses, ao longo de oito horas por dia. Uma corrida pela consciencialização ambiental

Ben Lecomte, de 51 anos, quer ser a primeira pessoa a atravessar a nado o Oceano Pacífico. O francês partiu do Japão em direção à Costa Oeste dos EUA, esta segunda-feira. Vai nadar oito horas por dia, durante mais de seis meses, numa viagem que pretende alertar para a poluição crescente do maior oceano do planeta.

Sobretudo, ao nível dos detritos e plásticos, que ainda no passado domingo causaram a morte a uma baleia no mar da Tailândia. O animal engoliu mais de 80 sacos de plástico e faleceu por não conseguir comer mais nada de nutritivo, uma vez que tinha o estômago totalmente preenchido.

O nadador espera aumentar a consciencialização para as alterações climáticas e será "acompanhado" por uma equipa de cientistas que irá fazer investigação ao longo dos 9000 km de caminho.

Os investigadores irão estudar não só os efeitos da poluição e a forma como o desastre nuclear de Fukushima afetou o oceano, mas também o efeito do exercício extremo no coração do atleta.

Lecomte vai, de certeza, ter o coração acelerado. E não só pelo desgaste físico. Naquelas águas pode enfrentar perigos como tubarões - irá usar uma pulseira repelente para afastar estes animais -, tempestades e temperaturas extremamente baixas.

Há seis anos que Lecomte se prepara para este desafio. Foram várias as horas de natação em águas abertas que praticou todos os dias ao longo dos últimos anos. Também treinou o pensamento positivo.

"A parte mental é muito mais importante do que a física. Temos de ter a certeza de que pensamos sempre em algo de positivo. Quando não temos nada para ocupar a mente, ela entra numa espiral, e é aí que o problema começa", cita a BBC News .

Este não é o primeiro desafio da vida deste francês de 51 anos. Em 1998, ele protagonizou a primeira travessia transatlântica conhecido cobrindo 6.400 km, em 73 dias. Quando finalmente chegou a França disse que "nunca mais" se iria lançar num desafio assim. Até agora.

"Não demorou muito para eu mudar de ideias. Três, quatro meses depois, já pensava na próxima aventura", lê-se na BBC News.

A poluição no Oceano Atlântico em números

Segundo estimativas de março, o lixo no Oceano Pacífico tem vindo a aumentar. A chamada Ilha do lixo do Pacífico tem já o dobro do tamanho de França e contém quase 80 mil toneladas de plástico, avança o The Guardian .

Muita da poluição nem é visível: são pedaços invisíveis de microplástico que ficam na água.

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