Ativistas entregam petição ao Governo de Macau para proibir sacos de plástico

Os ativistas propõem que se comece a "taxar o plástico e controlar a quantidade de lixo que as pessoas fazem por dia"

Ativistas ambientais entregam na quinta-feira uma petição ao Governo de Macau na qual pedem para que sejam proibidos os sacos plásticos naquele território chinês, que tem mais lixo 'per capita' que cidades como Pequim, Xangai ou Hong Kong.

"Macau é uma cidade tão pequena e produz tanto lixo. O Governo tem de atacar este problema", disse hoje à Lusa um dos elementos que organizou a petição, Annie Lao, depois de em menos de duas semanas terem sido recolhidas mais de 4500 assinaturas.

"A utilização excessiva de plástico está a resultar num desperdício diário de plástico, a maioria não reciclável nem biodegradável, e que contém químicos tóxicos que acabam por afetar a nossa saúde, o ambiente, os rios, os oceanos, a vida marinha e o ecossistema num todo", pode ler-se na Petição sobre o Desperdício de Plástico e Poluição em Macau, que vai ser entregue ao secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo Arrais do Rosário, e ao diretor dos Serviços de Proteção Ambiental (DSPA), Raymond Tam Wai Man.

De acordo com Annie Lao, as autoridades não estão a fazer o suficiente para sensibilizar a opinião pública sobre a poluição do plástico e para "a poluição como um todo em Macau".

Para os ativistas ambientais a solução tem passar por acabar com o uso do plástico descartável, ou então "taxar o plástico e controlar a quantidade de lixo que as pessoas fazem por dia".

Na opinião de Annie Lao, o Governo "tem de atacar este problema (...) especialmente os grandes operadores de jogo", que são uns dos principais responsáveis pelos níveis de poluição no território.

Em resposta à Lusa, a MGM China, um dos seis operadores de jogo no território, afirmou estar a ponderar deixar de disponibilizar palhinhas de plástico nas suas cadeias de restaurante em Macau e que estas apenas serão dadas a pedido dos clientes, uma medida que entrou em vigor em julho nos restaurantes da operadora em Las Vegas, EUA.

De acordo com o Relatório do Estado do Ambiente de Macau 2017, da Direção dos Serviços de Proteção Ambiental de Macau (DSPA), a quantidade de resíduos sólidos urbanos descartados por dia 'per capita' em 2017 foi de 2,16 quilogramas, um aumento de 2,9% em relação a 2016. No total, em 2017, foram descartadas 510.702 toneladas de resíduos sólidos urbanos, mais 1,6% que em 2016.

No dia 29 de dezembro de 2017, as autoridades do território anunciaram que ambicionam reduzir o lixo 'per capita' produzido diariamente no território em quase 30% até 2026.

A meta encontra-se definida no Planeamento de Gestão de Resíduos Sólidos de Macau (2017-2026) publicado pela DSPA.

Um dos objetivos concretos passa por reduzir volume médio de resíduos urbanos produzidos diariamente 'per capita' em quase 30%, ou seja de 2,11 quilogramas em 2016 para 1,48 quilogramas até 2026.

"Em comparação com outras regiões, o volume médio de resíduos sólidos urbanos produzidos diariamente 'per capita' pelos residentes de Macau situa-se num nível bastante elevado", constatou a DSPA.

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