Ataque aéreo no Iémen atinge autocarro com crianças

A guerra no Iémen dura há três anos e já provocou mais de dez mil mortos.

Dezenas de pessoas morreram nesta quinta-feira, incluindo um grupo de crianças que viajavam dentro de um autocarro, depois de um ataque aéreo da coligação liderada pela Arábia Saudita, na província de Saada, no norte do Iémen, informou um oficial de saúde do Iémen e o Comité Internacional da Cruz Vermelha.

De acordo com a agência Reuters, o Comité Internacional da Cruz Vermelha (ICRC, na sigla inglesa) afirma que um autocarro que transportava crianças foi atingido no mercado de Dahyan. Na página oficial do ICRC no Twitter, o órgão diz que o hospital ao qual a Cruz Vermelha presta auxílio recebeu os corpos de 29 crianças, todas com menos de 15 anos. A unidade de saúde também recebeu 48 feridos, dos quais 30 são menores.

O oficial do Departamento de Saúde de Saada, Abdul-Ghani Sareeh, também vincou que o ataque no mercado vitimou as crianças. "Um autocarro que transportava crianças foi atingido enquanto elas vinham da escola de verão, resultando em 43 mártires e 63 feridos", afirmou.

"As nossas lojas estavam abertas e havia pessoas a passear como é costume. Todas as pessoas que morreram eram residentes, crianças e donos de lojas", disse à agência Reuters Moussa Abdullah, uma testemunha que ficou ferida e estava a ser tratada no hospital.

A guerra no Iémen dura há três anos e decorre de um conflito entre Arábia Saudita e os muçulmanos sunitas contra os houthis, um movimento político-partidário maioritariamente xiita e que controla a capital Saná e o norte do país. A revolta dos houthis (apoiados pelo Irão) levou ao exílio do governo reconhecido internacionalmente em 2014. Os EUA e outros aliados ocidentais forneceram armamento e serviços de informação à coligação e vários grupos de direitos humanos criticaram a ação dos países ocidentais, por alegadamente terem contribuído para a morte de centenas de civis.

O representante da Organização Mundial da Saúde no Iémen, Nevio Zagaria, confirmou a ativação de um mecanismo de mantimentos de emergência. "Estou extremamente triste, o ataque não é aceitável", considerou.

A guerra no Iémen já matou mais de dez mil pessoas e desalojou mais de dois milhões de civis, de acordo com as Nações Unidas.

O conflito do Iémen começou com uma guerra civil, mas rapidamente se transformou numa guerra por procuração entre a Arábia Saudita e o Irão. Os sauditas têm acusado o Irão de fornecer os mísseis com que os houthis já tentaram atingir Riade. O Irão desmente envolvimento.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

OE 2019 e "o último orçamento que acabei de apresentar"

"Menos défice, mais poupança, menos dívida", foi assim que Mário Centeno, ministro das Finanças, anunciou o Orçamento do Estado para 2019. Em jeito de slogan, destacou os temas que mais votos poderão dar ao governo nas eleições legislativas, que vão decorrer no próximo ano. Não é todos os anos que uma conferência de imprensa no Ministério das Finanças, por ocasião do orçamento da nação, começa logo pelos temas do emprego ou dos incentivos ao regresso dos emigrantes. São assuntos que mexem com as vidas das famílias e são temas em que o executivo tem cartas para deitar na mesa.

Premium

nuno camarneiro

Males por bem

Em 2012 uma tempestade atingiu Portugal, eu, que morava na praia da Barra, fiquei sem luz nem água e durante dois dias acompanhei o senhor Clemente (reformado, anjo-da-guarda e dançarino de salão) fixando telhados com sacos de areia, trancando janelas de apartamentos de férias e prendendo os contentores para que não abalroassem automóveis na via pública. Há dois anos, o prédio onde moro sofreu um entupimento do sistema de saneamento e pude assistir ao inferno sético que lentamente me invadiu o pátio e os pesadelos. Os moradores vieram em meu socorro e em pouco tempo (e muito dinheiro) lá conseguimos que um piquete de canalizadores nos exorcizasse de todo mal.

Premium

João Gobern

Há pessoas estranhas. E depois há David Lynch

Ganha-se balanço para o livro - Espaço para Sonhar, coassinado por David Lynch e Kristine McKenna, ed. Elsinore - em nome das melhores recordações, como Blue Velvet (Veludo Azul) ou Mulholland Drive, como essa singular série de TV, com princípio e sempre sem fim, que é Twin Peaks. Ou até em função de "objetos" estranhos e ainda à procura de descodificação definitiva, como Eraserhead ou Inland Empire, manifestos da peculiaridade do cineasta e criador biografado. Um dos primeiros elogios que ganha corpo é de que este longo percurso, dividido entre o relato clássico construído sobretudo a partir de entrevistas a terceiros próximos e envolvidos, por um lado, e as memórias do próprio David Lynch, por outro, nunca se torna pesado, fastidioso ou redundante - algo que merece ser sublinhado se pensarmos que se trata de um volume de 700 páginas, que acompanha o "visado" desde a infância até aos dias de hoje.