Assassino de Maëlys acusado de agressão sexual a prima menor

Nordahl Lelandais, francês acusado da morte de Maëlys de Araújo, luso-descendente de oito anos, em agosto de 2017, enfrenta agora nova acusação depois de ter sido descoberto no seu telemóvel um vídeo em que protagoniza agressão de caráter sexual contra uma prima de apenas seis anos

O ex-militar, de 35 anos, foi esta quarta-feira acusado de agressão sexual contra uma prima de apenas seis anos. Esta aconteceu na casa dos pais de Nordahl Lelandais em Domessin, na Saboia, tendo sido registada pelo mesmo em vídeo. Vídeo esse que as autoridades encontraram no seu telemóvel. E foi feito uma semana antes do desaparecimento de Maëlys de Araújo, luso-descendente de oito anos, na madrugada de 26 para 27 de agosto de 2017.

Maëlys estava na altura num casamento com a família em Pont-de-Bonvoisin, a 85 quilómetros de Lyon, tendo sido vista a última vez na sala das crianças. A polícia começou depois a investigar e Nordahl Lelandais, convidado do noivo, foi um dos suspeitos colocado sob detenção. Acabaria por confessar a morte da menina em fevereiro deste ano, orientando a polícia para localizar o cadáver, tendo os restos mortais sido entregues aos pais.

Segundo a sua versão, a menina de oito anos entrou no carro para ir ver os seus cães, mas depois entrou em pânico e começou aos gritos. Nordahl disse ter-lhe dado "uma bofetada com as costas da mão, violenta, na cara", estava ela sentada à sua direita, no lugar do pendura. Vendo a criança desmaiada, parou e, ao tomar-lhe o pulso, "constatou que ela já não respirava". A seguir "depositou-a" no barracão perto da casa dos pais, "livrou-se dos calções manchados de sangue, voltou ao casamento".

Nordahl, que foi ouvido terça-feira num tribunal de Grenoble, não vê a sua versão confirmada pelos dados da autópsia, citados por media franceses como a BFMTV. Segundo esses dados, a menina luso-descendente sofreu várias fraturas ao nível do crânio e dos maxilares, mas esses ferimentos, dizem os especialistas, aconteceram antes da morte da criança e nenhum deles foi causador da mesma.

Depois de confessar a morte de Maëlys, o ex-militar admitiu também a responsabilidade na morte do cabo Arthur Noyer, de 24 anos. Este estava desaparecido desde a noite de 11 para 12 de abril de 2017, altura em que aquele lhe deu boleia à porta de uma discoteca gay, tendo parte do seu crânio sido encontrado em setembro de 2017 sido encontrado numa zona de mato em Montmelian, perto de Chamberry, na Saboia.

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