Às avessas com Paris, Roma anuncia eixo com Berlim e Viena contra a imigração ilegal

Governos de Alemanha, Áustria e Itália preparam nova política contra imigração ilegal, a meio de crise diplomática ítalo-francesa

A crise diplomática entre a França e a Itália sobre os imigrantes do Aquarius agravou-se, com o cancelamento de uma reunião entre os ministros das Finanças dos dois países, Bruno Le Maire e Giovanni Tria, em Paris. Roma exige um pedido de desculpas após os comentários de Emmanuel Macron, considerados "inadmissíveis". No ar paira a hipótese de se cancelar uma reunião agendada para sexta-feira entre o presidente francês e o primeiro-ministro italiano.

Ao mesmo tempo que estes dois países, tradicionalmente com boas relações, se digladiam nos media, Itália encontrou dois aliados para um novo "eixo na luta contra a imigração ilegal". O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, revelou no Senado que está aberto a uma acordo com a Alemanha e a Áustria sobre a imigração antes da cimeira da UE, no final de junho, que considerará mudanças na lei de asilo da UE para melhor repartir o ónus dos migrantes.

"Com os meus colegas alemães e austríacos vamos propor uma nova iniciativa", disse o vice-primeiro-ministro, tendo acrescentado que esta é para se aplicar tanto às fronteiras externas da UE quanto à forma como os países gerem as quotas de migrantes internamente.

No mesmo sentido comentou o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, em visita a Berlim: "Sinto-me satisfeito pela cooperação que queremos construir entre Roma, Viena e Berlim nesta área". "Nem toda a gente que é perseguida no mundo pode encontrar uma vida melhor na Europa, e em específico na Europa central", disse o jovem chanceler. Kurz disse que o objetivo é impedir os migrantes de chegarem à Europa e nesse sentido defendeu maior financiamento para a agência que gere as fronteiras externas, a Frontex.

Recebido por Angela Merkel, Kurz recusou entrar no debate sobre a imigração que divide a chanceler alemã e líder da CDU do ministro do Interior e líder da CSU, Horst Seehofer. Este deveria ter anunciado um plano diretor sobre a migração, mas a revelação dos pormenores foi adiada. Segundo o Bild, Merkel não concorda com a expulsão de pessoas a quem tenha sido recusado asilo.

À espera das desculpas

O primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte ainda é esperado na capital francesa para se encontrar na sexta-feira com o presidente Emmanuel Macron. No entanto, advertiu Matteo Salvini, "se não há desculpas oficiais, o primeiro-ministro Conte fará bem em não viajar para França". O ministro do Interior disse ainda: "Não temos nada a aprender de ninguém sobre generosidade, voluntarismo, acolhimento e solidariedade".

Em causa as declarações de Macron, que condenou "o cinismo e a irresponsabilidade do governo italiano" em não receber os migrantes do Aquarius.

Como salienta o La Repubblica, "dias de aproximação e de imenso trabalho estão agora em perigo". Isso mesmo terá dito o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Enzo Moavero Milanesi à número dois da embaixada francesa, que foi convocada para consultas. Milanesi reiterou que as palavras do líder francês são "inaceitáveis".

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