Artur Mas recusa ceder à CUP e abandonar ideia de reeleição

Partido que tem na mão a chave para eleger líder da Generalitat divulgou "condições mínimas" para acordo. "Sim" à independência ganha força, mas continua aquém do "não"

A criação de bancos de terras públicos para o cultivo de auto consumo, a redução das listas de espera na saúde em 50% no prazo de seis meses, a oferta de transportes públicos gratuitos para desempregados, o fim de algumas portagens ou a paralisação de 14 processos de privatização. Estas são algumas das "condições mínimas" que a Candidatura de Unidade Popular (CUP) estabelece para chegar a acordo com o Junts pel Sí e permitir a eleição de um novo presidente da Generalitat, depois de ter rejeitado por duas vezes o nome de Artur Mas. Mas este não está disposto a ceder.

"Nós já fizemos o movimento que precisávamos de fazer para chegar a um acordo. É público, é conhecido. Por isso, a partir de agora, veremos o que dizem os outros", disse ontem o presidente da Generalitat, candidato à reeleição pela lista que venceu as autonómicas de 27 de setembro sem maioria absoluta. Na véspera, Mas tinha proposto à CUP a criação de três vice-presidências que absorveriam parte do seu poder e ainda submeter-se a uma moção de confiança dentro de dez meses. Contudo, os dez deputados do partido antissistema voltaram a votar contra a investidura.

Numa entrevista à rádio catalã, António Baños, líder da CUP, deixou clara a posição do partido: "Artur Mas não é o nome que pede a base social do independentismo." Na sua opinião, sem o atual líder da Generalitat, o processo independentista terá mais caminho para crescer. Para Baños, é mais provável que o Junts pel Sí perceba que outro candidato poderá "desencalhar"a situação do que a CUP ceda à reeleição de Mas. Contudo os 62 deputados da lista vencedora das eleições autonómicas, após uma reunião de quase quatro horas, voltaram a dizer que não renunciam a propor a votação o atual presidente do governo catalão.

Derivas radicais

"Penso que por um cargo não merece a pena vender uma comunidade", indicou ontem a vice-presidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, após um Conselho de Ministros, dizendo que Mas é "um presidente a perder apoio". A responsável acredita que há "muitos eleitores" do Junts pel Sí que "já não apoiam as derivas radicais e antisistema" do ainda presidente da Generalitat. E voltou a pedir o respeito pela decisão do Tribunal Constitucional, que suspendeu o processo independentista. "Peço a todo o mundo que respeite as leis e as resoluções dos tribunais porque isso significa respeitar a democracia", afirmou.

Caso não haja acordo entre Junts pel Sí e CUP até 9 de janeiro, terão que ser convocadas novas eleições. Um cenário que não agrada a Baños, que considera que um novo escrutínio seria um "risco tremendo" para o independentismo - que agora tem maioria no Parlamento. Um barómetro do Centro de Estudos de Opinião, ontem divulgado, indica que o apoio à independência da Catalunha está a crescer, apesar de a percentagem dos que a defendem ser ainda inferior aos que são contra. O "não" à independência teria 47,8% dos votos (contra 50% em junho), frente aos 46,7% do "sim" (eram 42,9% há cinco meses).

Numas eventuais eleições, a CUP seria contudo o partido que mais ganharia. Segundo o mesmo barómetro, feito a duas mil pessoas com uma margem de erro de 2,69 pontos, seria o terceiro partido mais votado, passando dos atuais dez deputados para um máximo de 16. O Junts pel Sí ganharia novamente, mantendo o mesmo número de deputados. O PP catalão perderia força, passando dos atuais 11 representantes no Parlamento a apenas oito. Os outros partidos manteriam a atual força, com mais ou menos um deputado.

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