Artur Mas falha tomada de posse à primeira. Amanhã há nova votação

Rajoy discutiu processo independentista com o líder do PSOE e com Felipe VI. Constitucional recebe hoje recurso do governo

Artur Mas falhou ontem tomar posse como presidente da Generalitat, devido aos votos contra de toda a oposição, incluindo da CUP, o movimento que, a par do Junts pel Sí, compõe a maioria independentista do Parlamento catalão.

Contas feitas, a investidura do ainda presidente do governo da Catalunha foi chumbada com 73 votos, um valor acima dos 62 "sins". Para conseguir a sua reeleição, Artur Mas precisava de uma maioria absoluta, ou seja 68 votos. Amanhã haverá uma nova votação, mas então bastará uma maioria simples para o candidato do Junts pel Sí tomar posse.

Durante o debate, que começou na segunda-feira e terminou ontem ao final do dia, Artur Mas tentou obter o apoio da Candidatura d"Unitat Popular (CUP), dizendo que o processo independentista ficará "encalhado" se o movimento inviabilizasse a sua investiduda. Mas sem sucesso.

O processo não ficará encalhado, porque nada o pode encalhar. Toda a gente é necessária, mas ninguém é imprescindível

"O processo não ficará encalhado, porque nada o pode encalhar. Toda a gente é necessária, mas ninguém é imprescindível", respondeu ontem no debate Antonio Baños, o líder parlamentar da CUP.

Desde o primeiro momento, a CUP disse que não iria apoiar Mas por causa dos casos de corrupção que têm atingido a Convergència Democràtica de Catalunya, o partido liderado pelo presidente da Generalitat e que faz parte da coligação Junts pel Sí. Aliás, a oposição da CUP ao nome de Artur Mas é de tal forma, que ontem apresentaram um candidato alternativo à presidência da Generalitat (ver caixa).

Mas o pontapé de saída dos ataques a Artur Mas foi dado pela líder da oposição, Inés Arrimadas. A deputada do Ciudadanos pediu ao presidente da Generalitat para renunciar ao cargo e acusou-o de ter gerido mal o governo da Catalunha, bem como de ter dividido os catalães entre os "bons", aqueles que são a favor da independência, e os "maus", os que são contra, recordando as manifestações do Dia da Catalunha.

"Deram a entender que com os nossos recursos seríamos mais ricos. Isso gera confronto e falta de solidariedade. Você não tem maioria social, nem parlamentar, nem sequer tem razão: fala de levantar fronteiras, ignorar a legalidade, de ignorar aos tribunais", prosseguiu Arrimadas.

Na sua única intervenção de resposta, Mas garantiu que não existe nenhum "xamã" na Generalitat que obrigue anualmente 1,5 milhões de pessoas a saírem à rua. "São pessoas sem vontade própria que acreditam no que lhe dizem, que são manipuláveis, que são levadas uma a uma para a rua", declarou o presidente catalão de forma irónica. E acrescentou estar surpreso como um partido tão "moderno" como o Ciudadanos se equipare ao PP e rejeite o referendo como forma de contar votos.

Em sintonia, por enquanto

O secretário-geral do PSOE deu ontem o seu apoio ao recurso que o governo de Mariano Rajoy vai apresentar hoje junto do Tribunal Constitucional sobre a declaração independentista aprovada na segunda-feira pelo Parlamento da Catalunha. "O Estado tem a obrigação de tomar todas as medidas necessárias para restaurar a democracia e a Constituição", declarou Pedro Sánchez.

O líder socialista foi ontem recebido pelo primeiro-ministro, um encontro que durou cerca de 50 minutos e que se realizou no seguimento do acordo a que chegaram a 28 de outubro sobre o futuro da Catalunha.

Falando aos jornalistas, Sánchez não esclareceu, porém, se o PSOE apoiará outras medidas que o governo de Madrid poderá vir a tomar contra o Parlamento da Catalunha. "Temos de dar tempo ao tempo", prosseguiu o líder socialista, sublinhando que neste momento existe um espírito de unidade entre as duas maiores forças políticas espanholas.

Logo após este encontro, Mariano Rajoy seguiu para o Palácio da Zarzuela, para o seu encontro semanal com o Rei Felipe V. Nesta reunião, o primeiro-ministro informou o monarca dos passos tomados pelo governo sobre a Catalunha.

De acordo com a Casa do Rei, Felipe VI alterou a sua agenda de trabalho de hoje para seguir com atenção o desenrolar do Conselho de Ministros extraordinário do qual sairá o recurso que será apresentado ao Constitucional sobre a resolução independentista do Parlamento catalão.

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