Aquarius chega domingo a Valência

Mais de duas mil pessoas fazem parte do dispositivo que, no porto de Valência, em Espanha, vai receber os refugiados. França ofereceu ajuda e o executivo de Pedro Sánchez aceitou

O navio Aquarius deverá chegar ao porto de Valência, em Espanha, este domingo, entre as 06:00 e as 08:00. Inicialmente estava previsto que a embarcação da Organização Não Governamental (ONG) SOS Mediterrâneo e as outras duas da Marinha Italiana que a acompanham, com os 629 refugiados, a​​​​​​tracassem no porto espanhol este sábado. O mau tempo no Mediterrâneo acabou por atrasar por algumas horas a chegada dos migrantes a Espanha, segundo explicou um voluntário da ONG à agência espanhola Efe.

Em Valência está tudo a postos para receber os refugiados. O dispositivo de acolhimento engloba 2300 pessoas, entre os quais 356 são agentes da Polícia Nacional. Há também tradutores e mais de 1000 pessoas pertencem à Cruz Vermelha, que montou um vasto dispositivo de ajuda aos migrantes.

Repartidos pelas três embarcações, os refugiados vão chegar ao porto espanhol de forma faseada, com uma diferença de duas a três horas numa operação que levou Valência a acionar o Plano de Emergência Territorial, de forma a permitir a operação conjunta com várias organizações, segundo explicou ao jornal ABC Jorge Suárez, o vice-diretor da Emergencias de la Generalitat.

Toda a rede de hospitais públicos de Valência estará disponível

Assim que os refugiados começarem a chegar, a prioridade são os cuidados médicos e sanitários. Será feito um rastreio e, depois, os migrantes serão reencaminhados para diversas unidades de saúde. "Toda a rede de hospitais públicos de Valência estará disponível", disse Suárez.

A França vai aceitar migrantes que, depois de chegarem ao porto de Valência e após terem cumprido todos os protocolos estabelecidos pelo procedimento de receção, manifestarem o desejo de ir para este país

A vice-presidente do governo espanhol, Carmen Calvo, é a responsável pela coordenação de toda a operação de acolhimento aos refugiados. Aos jornalistas, a governante referiu que os 134 menores que estão a bordo do Aquarius vão ficar na cidade de Valência e os restantes casos vão ser analisados de forma individual. "Isto vai ser muito útil porque, dependendo das suas condições físicas, alguns migrantes vão ser direcionados para outras cidades espanholas e vão ser integrados através das políticas sociais de acolhimento que existem em cada comunidade autónoma", explicou.

França ofereceu ajuda no acolhimento dos refugiados

Na operação de acolhimento aos refugiados, Espanha aceitou a ajuda de França que se disponibilizou a colaborar com as autoridades espanholas. De acordo com um comunicado da presidência do governo de Espanha, foram efetuadas conversações com o embaixador de França em Espanha.

"A França vai aceitar migrantes que, depois de chegarem ao porto de Valência e após terem cumprido todos os protocolos estabelecidos pelo procedimento de receção, manifestarem o desejo de ir para este país", explica o executivo espanhol. "O Presidente Sánchez agradece ao Presidente Macron pela sua cooperação e considera que este é o quadro de cooperação com o qual a Europa deve responder", lê-se no comunicado.

O Governo de Itália, recorde-se, recusou no passado domingo autorizar o Aquarius a desembarcar num porto italiano os 629 refugiados, resgatados do mar em várias operações.

Itália defendeu que devia ser Malta a acolher os migrantes, entre os quais há 123 menores, mas as autoridades maltesas sustentaram que a responsabilidade é de Itália porque as operações de salvamento dos migrantes ocorreram numa zona marítima coordenada por Roma.

Perante este cenário, Espanha ofereceu-se para acolher os refugiados, para "evitar uma tragédia humanitária".

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