Aos 70 anos "rainha do marfim" chinesa foi condenada a 15 anos de prisão

Yang Glan foi declarada culpada pelo tribunal da Tanzânia de crimes de contrabando de 860 dentes de marfim de elefantes. Esta decisão é considerada uma sentença histórica.

Uma mulher chinesa, apelidada de "Rainha do Marfim" e considerada uma das traficantes mais famosas de África, foi condenada a 15 anos de prisão na Tanzânia, adiantaram as autoridades do país africano.

Esta terça-feira, um tribunal da Tanzânia considerou Yang Feng Glan, de 70 anos, culpada de contrabando de 860 dentes de elefante que, segundo as autoridades, valem 6,45 milhões de dólares, o equivalente a 5,6 milhões de euros. Yang Feng Glan foi condenada juntamente com os tanzanianos Salivius Francis Matembo e Manase Julius Philemon, punidos com mais dois anos de prisão sob o Ato de Proteção à Vida Selvagem da Tanzânia, que podem ser convertidos em multa equivalente ao dobro do valor do marfim de que são acusados de contrabando. As autoridades colocaram esse valor em 11,3 milhões de euros. Os réus já apresentaram um recurso, disse o tribunal.

A diretora do Ministério Público da Tanzânia acusou Yang de administrar uma sofisticada cadeia de fornecimento entre a África Oriental e a China, usando os seus laços com as elites chinesa e tanzaniana para movimentar o marfim em todo o mundo. Yang foi presa em Dar es Salaam, a maior cidade da Tanzânia, em 28 de setembro de 2015, após uma perseguição de um ano.

Depois de mais de três anos de incerteza e atrasos no caso, as organizações de conservação dizem que a sentença envia uma forte mensagem aos traficantes. "O governo está a levar o tráfico de vida selvagem muito a sério", disse Krissie Clark, diretora executiva da PAMS Foundation, um grupo sem fins lucrativos que combate o crime contra a vida selvagem e apoiou a força da Tanzânia que prendeu Yang. "A sentença de hoje é um testemunho de que ninguém na Tanzânia está acima da lei."

A decisão histórica marca uma das sentenças mais duras já aplicadas a um cidadão chinês de tão alto perfil e bem relacionado que vive na África Oriental.

Investigadores tanzanianos disseram à CNN que Glan chegou à Tanzânia em 1975 como tradutora de uma empresa chinesa que construía uma ferrovia ligando o porto de Dar es Salaam à Zâmbia. Ela foi uma das primeiras pessoas chinesas a falar swahili fluentemente.

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