Lobo Antunes "chocado" com morte de Bourdain

O escritor português e a mulher jantaram com o chef durante a sua passagem por Lisboa, em 2011. Agora recordam-no

António Lobo Antunes e a mulher, Cristina, foram duas das pessoas que privaram com Anthony Bourdain durante a sua passagem por Lisboa, no final de 2011.

O encontro foi proporcionado pela editora Leya, que publica os livros de António Lobo Antunes, a pedido de Anthony Bourdain, que quis conhecer o autor de quem andava a ler a obra "Fado Alexandrino".

"Esta morte foi muito chocante e triste. Jantámos juntos, ele queria conhecer-me... Estava muito cansado porque tinha passado a noite a ler o meu livro", recorda o consagrado autor, que adianta ter ficado "amigo" de Bourdain.

"Conheci um homem muito agradável, inteligente, culto, muito simpático, educado, com uma grande cultura geral". E com jeito para a escrita."Ele deu-me alguns livros dele, muito bem escritos por sinal", elogia Lobo Antunes.

Cristina Lobo Antunes, mulher do escritor, acompanhou-o ao jantar com o intrépido chef. O local escolhido foi A Tasca do Chico, no Bairro Alto, em Lisboa. Como por lá não servem jantares, os comensais tiveram de se contentar com uma noite de petiscos e fado. "Comemos pão com queijo e ouvimos a Carminho", recorda.

O pano de fundo ideal para o que se viria a conversar naquela mesa. "Recordo-me do olhar dele e da honestidade com que falou da sua vida. Senti que era um homem atormentado", diz a ex-jornalista, remetendo para o passado de drogas que Anthony Bourdain não teve vergonha em tornar público.

Apesar do peso do passado, Bourdain "tinha um sorriso lindo", solta António Lobo Antunes que falou com o chef sobre muitas coisas naquele jantar. "Ele fez muitas perguntas sobre a Guerra em Angola", comenta Cristina Lobo Antunes que nunca vai esquecer aquela noite: "Foi muito forte e intensa".

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