Ana Gomes diz que Facebook bloqueia campanhas europeias com base em interpretação perversa

A poucas semanas das eleições europeias, há eurodeputados que se queixam do sistema de alerta rápido de combate às fake news.

O sistema foi lançado há pouco mais de um mês e obriga as empresas da internet a abster-se de divulgar ou a retirar informação que seja falsa. Acontece que, com base nas reservas a que estão obrigadas, algumas empresas, como o Facebook, por exemplo, está também a recusar anúncios com "informação verdadeira" para a campanha eleitoral de partidos europeus, que dizem nada ter a ver com fake news.

"Um colega meu [do partido] Verde alemão, Reinhard Bütikofer denunciou o Facebook, por estar a recusar campanhas de informação, por parte de grupos políticos europeus, - com uma disseminação europeia -, a pretexto de uma interpretação perversa que, justamente, fazem dos resguardos que as grandes plataformas como o Facebook têm que ter em relação a não se deixarem instrumentalizar", relatou a eurodeputada em declarações à TSF e ao DN.

Ana Gomes considera que se trata de um sistema "essencial" e, apesar de poderem verificar-se falhas na interpretação dos gestores das redes sociais, sobre as medidas europeias de combate às chamadas fake news, as medidas de combate a desinformação impunha-se.

"O sistema de alerta, do meu ponto de vista era essencial para garantirmos que as novas tecnologias e as novas plataformas do digital não se prestam ser instrumentalizadas, para interferir de forma perversa nas eleições europeias", afirmou. É por essa razão que acrescenta um alerta dirigido à forma como os leitores leem informação na internet, já que, apesar de todos os filtros por que possam passar, pode continuar a haver falhas.

Nesse caso, "o mais importante" é que todos "os cidadãos, que têm que perceber que têm de confirmar certas notícias, - sobretudo quando elas lhes chegam pelas redes sociais -, muitas delas poder parecer verosímeis, mas são falsas. E eles têm de estar alerta e têm de não se prestar a contribuir para espalhar essas notícias que são falsas e que são tendenciosas e que visam influenciar de forma perversa o eleitorado".

A poucas semanas da data das eleições europeias, a eurodeputada Ana Gomes defende a importância do sistema de alerta para as fake news, mas denuncia falhas na interpretação que as empresas sociais estão a fazer das regras europeias.

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