Zuckerberg aceita que reunião com eurodeputados seja transmitida pela internet

Presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, fez anúncio hoje pelo Twitter. Reunião do fundador do Facebook com grupo restrito de eurodeputados está prevista para amanhã à tarde em Bruxelas

Patrícia Viegas
Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, será ouvido à porta fechada no Parlamento Europeu, mas concordou que reunião seja transmitida pela internet© REUTERS/Stephen Lam

Depois de muita polémica e protestos de alguns grupos políticos no Parlamento Europeu, Mark Zuckerberg aceitou que o seu encontro à porta fechada com um grupo de eurodeputados seja transmitido pela internet.

O anúncio foi hoje feito, através do Twitter, pelo presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani. "Discuti pessoalmente com o CEO do Facebook, o Sr. Zuckerberg, a possibilidade de a reunião ser transmitida em webstreaming. Estou contente por anunciar que ele aceitou este pedido. Grandes notícias para os cidadãos europeus. Agradeço-lhe o respeito demonstrado para com o Parlamento Europeu. O encontro é amanhã das 18.15 às 19.30". Em Lisboa será menos uma hora do que em Bruxelas.

Zuckerberg dispensará, assim, aos eurodeputados, 1 hora e 15 minutos do seu tempo. Em abril, o fundador do Facebook enfrentou, em audição pública, no Congresso dos EUA, dois dias, 10 horas e 600 perguntas sobre as atividades da rede social e a suposta violação do direito à privacidade dos seus utilizadores. Muitos eurodeputados estão descontentes, pois exigiam uma audição pública no Parlamento Europeu nos mesmos moldes da do Congresso norte-americano.

O empresário norte-americano irá responder às perguntas dos líderes dos grupos políticos europeus sobre o uso indevido de dados de 87 milhões de utilizadores do Facebook, após as revelações sobre a Cambridge Analytica, que trabalhou para a campanha da eleição de Donald Trump em 2016 e, alegadamente, para a campanha do brexit, também em 2016. Até agora, Zuckerbeg tem recusado comparecer perante o Parlamento do Reino Unido.

À Comissão Europeia, em abril, em resposta a um pedido de esclarecimento, o Facebook admitiu que terão sido acedidos, indevidamente, os dados de 2,7 milhões de utilizadores, sendo 63 080 portugueses. Na próxima sexta-feira, entra em vigor na União Europeia o Regulamento Geral sobre a Proteção dos Dados Pessoais. Este vai alterar a forma como as empresas, online e offline, gerem e armazenam os dados dos seus utilizadores. Todas as entidades corporativas, Facebook incluído, vão ter que se adaptar à nova legislação.