Colômbia diz-se incapaz de responder sozinha a fluxo de migrantes venezuelanos

"A Colômbia não pode enfrentar essa situação sozinha. Fizemos esforços significativos nos últimos tempos e eles continuarão, mas a escala da crise é tal que não temos capacidade suficiente para lhe responder", alertou um responsável governamental

Rui Salvador
©  EPA/Mauricio Duenas Castaneda

O chefe da diplomacia da Colômbia afirmou que o país não consegue lidar sozinho com a chegada de dezenas de milhares de migrantes venezuelanos e pediu uma resposta internacional.

"A Colômbia não pode enfrentar essa situação sozinha. Fizemos esforços significativos nos últimos tempos e eles continuarão, mas a escala da crise é tal que não temos capacidade suficiente para lhe responder", alertou Carlos Holmes Trujillo, em declarações à Rádio Caracol.

Entre as medidas que o Governo colombiano reclama encontram-se a criação de um fundo multilateral de emergência e a nomeação de um alto funcionário das Nações Unidas para coordenar as ações dos países latino-americanos.

"Este é um problema que nos afeta principalmente como país, mas é uma crise que afeta toda a região, dada a grandeza deste fluxo", acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Colômbia.

Os venezuelanos, sufocados pela crise económica, sofrem com a escassez que atinge necessidades básicas, incluindo medicamentos e alimentos.

Segundo a ONU, dos 2,3 milhões de venezuelanos que vivem no exterior, mais de 1,6 milhões fugiram desde 2015.

A Colômbia, que partilha 2.200 quilómetros de fronteira com a Venezuela, recebeu nos últimos anos mais de um milhão de pessoas deste país, das quais 820.000 regularizaram a sua situação.

Onze países latino-americanos, reunidos pela primeira vez na semana passada sobre a crise dos migrantes venezuelanos, apelaram a Caracas para que aceite ajuda humanitária para conter o afluxo, que desestabiliza a capacidade da região de receber pessoas.