Turquia rejeita pedido dos EUA para terminar com importação de petróleo do Irão

"Apenas consideramos o nosso interesse", justificou o ministro da Economia turco

Susete Henriques
O ministro da Economia turco, Nihat Zeybekci© Jorge Carmona / Global Imagens

O ministro da Economia turco, Nihat Zeybekçi, declarou esta quarta-feira que a Turquia vai continuar a importar petróleo do Irão, após os Estados Unidos terem pedido aos aliados para interromperem totalmente a sua compra até 4 de novembro, sob pena de sanções.

"As decisões tomadas pelo ministério do Comércio externo norte-americano não são vinculativas para nós. Além dos interesses da Turquia, não consideramos qualquer outro interesse", disse Zeybekçi em conferência de imprensa em Ancara.

Também tentamos prestar atenção a que um país amigo e irmão, como é o Irão, não sofra injustiças nestes assuntos, nem fique prejudicado

"Se houvesse decisões ou medidas das Nações Unidas a esse respeito, seria vinculativo para nós. Mas para além disso, apenas consideramos o nosso interesse", disse o ministro, citado pela agência noticiosa turca Anadolu.

"Também tentamos prestar atenção a que um país amigo e irmão, como é o Irão, não sofra injustiças nestes assuntos, nem fique prejudicado", acrescentou Zeybekçi.

Os EUA pediram a todos os países para interromperem totalmente até 4 de novembro as suas importações de petróleo iraniano caso pretendam evitar sanções norte-americanas

Desde 2017 que metade do crude importado pela Turquia provém do Irão, enquanto a outra metade é assegurada pelo Kuwait, Arábia Saudita, Iraque e Rússia.

Na terça-feira, os Estados Unidos pediram a todos os países para interromperem totalmente até 4 de novembro as suas importações de petróleo iraniano caso pretendam evitar sanções norte-americanas, restabelecidas após a retirada de Washington do acordo nuclear com Teerão.

"É uma das nossas principais prioridades de segurança nacional. Não irei ao ponto de dizer zero exceções de forma definitiva, mas a posição é que não vamos permitir exceções", preveniu um responsável do Departamento de Estado em declarações aos 'media'.

Em 8 de maio o Presidente Donald Trump anunciou a sua retirada do acordo internacional de 2015 destinado a impedir o Irão de obter a bomba atómica, e que considera demasiado permissivo.

Na ocasião, restabeleceu todas as sanções norte-americanas suspensas no âmbito deste acordo, incluindo as sanções secundárias contra as empresas estrangeiras que continuam a negociar com Teerão.

Estas empresas deverão optar entre os seus investimentos no Irão e o acesso ao mercado norte-americano. Washington forneceu um prazo de 90 a 180 dias para se retirarem do mercado iraniano.

Desde maio que os países europeus tentam, sem grande sucesso, negociar exceções que isentem certos setores ou contratos, mas este responsável norte-americano confirmou esta quarta-feira a "linha dura" até ao momento imposta pela administração da Casa Branca.